sábado, 19 de setembro de 2015

Arte ao Lado: Beatriz Dreux


“Por que eu faço? Olha… eu vou ser bem sincera e admitir que, às vezes, eu não sei porque eu faço. Eu sei mais porque eu NÃO deixaria de fazer, que é simplesmente porque eu não consigo não fazer. Meu corpo sente falta, minha cabeça sente falta. Nem agora, que teoricamente eu estaria de férias, consigo ficar parada. Acho que tudo isso significa que eu amo muito o que eu faço. Às vezes, cansa, dói, é difícil… mas a realização de subir no palco e mostrar pras pessoas o quanto eu amo o que faço é incrível. E mais incrível ainda é chegar no final de um show e ver todo mundo te aplaudindo. É aí que você percebe que todo aquele cansaço e aquela dor não foram à toa e tudo valeu a pena”.
Beatriz Dreux já não dança mais somente com o corpo, pois sua alma se expressa em cada movimento que faz. Sua resposta acima é a epítome do que move um artista: saber que a arte está intrínseca a ela mesma, que é sua raison d’etre. Ela também nos revela que seu dia-a-dia não é fácil, pois, em muitos momentos, a arte a leva além dos seus próprios limites físicos e mentais. Mas a perseverança de Beatriz já podia ser vista em seus rompantes de teimosia na sala de aula. Durante o ano e meio em que fui seu professor, tivemos vários embates. Eu, com pouca experiência, queria dobrar a “rebeldia adolescente”, mas, na verdade, não estava totalmente ciente do foco e da direção que ela estava tomando.

(Fotos: Lucas Campêlo)

(Foto: Lucas Campêlo)
Nas aulas de Projeto Final - quando Beatriz pode me mostrar uma pequena parte do seu amor pela dança ao fazer um livro sobre o Centro de Artes Nós da Dança (CAND) -, comecei a vislumbrar sua relação com a arte. Acompanhei até hematomas e uma internação! Agora ela me conta que, em 2013, teve aulas e competiu no Seminário Internacional de Dança de Brasília, onde também fez audição para Lamondance, um programa de treinamento pré-profissional para bailarinos em Vancouver, no Canadá.

Passou, é claro.

Coreografia de Davi Rodrigues (Fotos: Yvonne Chew)

Professores da companhia e também alguns convidados dão 16 horas de aulas/ensaios por semana entre dança moderna/contemporânea, ballet, improviso e condicionamento físico. De setembro a junho, são realizadas pequenas apresentações pela cidade e, no fim da temporada, acontecem dois dias de show da companhia. Alguém duvida do quanto ela está gostando de tudo isso?

Coreografia de Monica Proença, medalha de ouro no Surrey Festival of Dance and Dancepower.
Trailer de River of january, coreografia de Monica Proença para a Lamondance.

Fica bem óbvio que fazer o que ama é uma das receitas para a felicidade plena.

Um comentário:

Graça disse...

Fazer o que se ama é viver a vida em toda a sua plenitude.
Parabéns Beatriz Dreux o que você escreveu sobre sua arte se chama transcendência, está para além de você.