Dizem que o Carnaval acabou, mas a gente sabe que ainda tem muito bloco no Rio de Janeiro que vai sair neste final de semana. E a gente também sabe que os estados do Nordeste mantém o clima de Carnaval por quase 10 meses do ano!
Bom... mas é fato que o "ano útil" só começa depois da quarta-feira de cinzas. Então, que tal acompanhar os dias desse ano de uma maneira bem especial? O designer espanhol Oscar Diaz desenvolveu o Ink Calendar, um calendário A2 que usa o tempo em que um frasquinho de tinta demora a ser absorvido pelo papel pra mostrar o passar dos dias! A cada mês um frasquinho de tinta colorida é absorvido pelo papel, colorindo e imprimindo lentamente os dias. A idéia é que o calendário realmente mostre o tempo passando e não somente sinalizá-lo. As cores variam de acordo com um espectro baseado numa escala de temperatura. Cada mês possui uma cor referente a percepção climática, indo do azul escuro em dezembro a tons de verde na primavera ou tons de vermelho no verão.
Na onda dos filmes de vampiros que possuem lobisomens como inimigos mortais e coadjuvantes, resolveram fazer um remake do Lobisomem de 1941 (The wolf man, com Bela Lugosi e Lon Chaney). O Lobisomem (The Wolfman, 2010) de Benício del Toro e Anthony Hopkins é ruim. Chato. Del Toro tá mal. Hopkins é Hopkins.
A transformação é ótima, mas o filme Um lobisomem americano em Londres (An american werewolf in London, 1981) tinha um ótimo take também.
A maquiagem também é boa, mas acho que já estou preferindo os lobisomens com cara de lobo mesmo, tipo o próprio "americano em Londres", Anjos da Noite (Underworld, 2003) ou Van Helsing (2004), nada de só virar lobo, como os de Lua Nova (The Twilight Saga: New Moon, 2009) e Sangue e Chocolate (Blood & Chocolate, 2007). Só não entendo porque é tão dolorido virar o bicho, mas pra desvirar é só cair os pelos... De todos, sou mais o MJ em Thriller...
Após 74 anos, a Unidos da Tijuca levanta seu segundo título de campeã do Rio de Janeiro! E foi muito merecido, foi mágico! O Borel já havia batido na trave em 2004 e 2005 com dois desfiles impecáveis de Paulo Barros. Sempre ele!
Matéria do RJ TV 2ª edição
O enredo "É segredo", que trouxe inúmeros mistérios da humanidade, por si só já é incrível: foi indicado ao carnavalesco por um garoto de 15 anos através do Orkut! O rapazote, é claro, já quer cursar Belas Artes para virar carnavalesco... lembra que eu falei que design e carnaval dá samba? E também dei minha opinião sobre os desfiles de domingo... parece que cheguei perto do resultado. Confesso que não acreditei que a Beija-Flor tirou o terceiro lugar. Me lembrei daqueles carnavais que a Imperatriz não empolgava mas era perfeita, ou seja, título certo. Achei a Beija-Flor péssima, mas acreditava na derrocada da Viradouro.
Vejam os vídeos da Globo.com(também dona da foto do orkut) com partes do desfile...
A mágica da comissão de frente:
Evolução e recuo da bateria:
Super-Heróis na Avenida:
Esse é o segundo ano consecutivo que o título fico pro bairro da Zona Norte, pois, no ano passado, deu Salgueiro! Dá-lhe Tijuca!
Mas esse ano foi diferente pra mim, pois tive a oportunidade de estar na Sapucaí para assistir aos desfiles das Escolas de Samba do Grupo Especial de domingo! Fiquei bem pertinho, praticamente dentro da festa! Como eu estava do lado de um camarote de jurados, tudo que passava evoluia na minha frente! Eu prefiro dizer que estava tudo lindo porque realmente fui arrebatado pela beleza in loco das escolas. Digo isso porque durante muitos e muitos anos da minha ainda não tão longa vida eu passei os carnavais na frente da TV tentando assistir ao desfile todo junto com meu pai. Ou seja, eu sempre soube da magnitude dos desfiles. Mas estar lá, é diferente. Muito bom! Quase perdi a vontade de desfilar... quem sabe?
Agora alguns rápidos comentários:
União da Ilha: Pra quem acabou de subir do Grupo de Acesso, foi bem. Rosa Magalhães tentou fazer milagre com o pouco dinheiro que a escola dispunha, esperando que os delírios de Dom Quixote a mantenham no Grupo Especial. Olé!
Imperatriz: Falar de deuses pra mim é como dar doce pra criança. ou seja, claro que amei o desfile! Fotos e muito mais no meu outro blog, o Mito+Graphos.
Unidos da Tijuca: Dá-lhe Borel! Na boa: Paulo Barros é O cara! A magia do carnaval estava em tudo nesse desfile: da Comissão de Frente que mudava de roupa num piscar de olhos ao fogo na Biblioteca de Alexandria! E os super-heróis? E os jardins suspensos da Babilônia? E os escravos puxando Cleópatra? E o pavão ótico? E as baianas "caleidoscópicas"? Isso é carnaval! Isso é criatividade! É inovação!
Viradouro: Adoraria conhecer o México e a festa de Todos os Santos, mas não acho que seja um assunto muito legal para o carnaval. Parecem duas coisas diferentes que não se juntam na Avenida. Acabei assistindo esse desfile na TV do camarote, porque eu estava faminto!
Salgueiro: Como bom tijucano, o Salgueiro me arrepiiiiiiiiiiiiiiiiia! Uma história de amor sem ponto final mesmo! Era um samba cativante que embalou o público rapidamente. Os carros e os tripés eram lindos, apresentando várias histórias: de Harry Potter ao Sítio do Pica-pau Amarelo, do Pequeno Príncipe às Vinte mil léguas submarinas! E ainda teve a prensa de Gutenberg e um monte de acrobatas (aliás... a Intrépida Trupe virou "empadinha de festa" nesse carnaval).
Beija-Flor: Hã? O que foi aquilo? Repito que adoraria dizer que foi tudo ótimo, mas o desfile da Beija-Flor foi muito ruim. Não pela parte técnica (sempre impecável), mas pelo enredo muito mal explorado em alegorias sem nexo. Cadê Niemeyer e a arquitetura, a Legião Urbana e o rock? Sei lá... pra mim, bom mesmo foi ver o Neguinho de volta, após o câncer.
As baterias valem um comentário a parte também. Pelas minhas veias, corre um sangue bem miscigenado, provavelmente com uma alta concentração de dendê. Por isso, é só soar um tambor que meu pés de ficam nervosos. Agora imagina ver uma bateria de uma escola de samba fazendo estripolias na sua frente... Foi forte! Cada paradinha, cada marcação... energia única! Te garanto que no "um minuto de silêncio" da Imperatriz só com atabaque teve orixá descendo!
E como designer, não poderia faltar um comentário, né? Todo designer TEM QUE ver um desfile de perto. A transformação de conceitos tirados do enredo em alegorias e adereços É design. Design de moda e de produto são os mais óbvios, mas é preciso conhecer a fundo toda a produção. Acredito que deveria se investir nisso. Porque escolas de design não se encontram com escolas de samba? Reciclagem, novos materiais... carnavalescos (Rosa Magalhães, Max Lopes, Paulo Barros, Joãozinho Trinta...) não teriam nada a acrescentar? Nós estamos no Brasil, gente! Acho que a Cidade do Samba tem muito mais design brasileiro do que muita gente pensa.
Obrigado pelos dias de sol sem chuva (só não precisava ser tão quente)! Valeu Grande Rio, Brahma e Locanty!Segunda-feira eu fiquei na TV. Vi a fashion e perfumada Porto da Pedra, a tecnológica Portela, a belíssima homenagem aos grandes carnavais da esperta Grande Rio (valeu!!!) e o início da Vila com o belo samba de Martinho para Noel. Perdi os paraísos da Mocidade e minha Mangueira do coração, mas já soube que mandou bem com a MPB.
PS.: As fotos das escolas e o vídeo são da Globo.com.