sábado, 23 de fevereiro de 2013

Ao Oscar com: A VIAGEM

Tá, tá... eu sei que esse filme não está no Oscar e foi considerado um dos piores filmes do ano passado, mas eu gostaria de fazer algumas considerações. Primeiro, vamos à história de A Viagem (Cloud Atlas, 2012):
Seis histórias ocorrem em épocas e países distintos, mas estão interligadas. No século XIX, Adam Ewing (Jim Sturgees) é um advogado enviado pela família para negociar a comprar de novos escravos. Ao retornar para casa, ele salva um escravo, Autua (David Gyasi), que muda toda sua vida. Em 1930, o jovem e talentoso compositor Robert Frobisher (Ben Whishaw) ajuda o também compositor, e já idoso, Vyvyan Ars (Jim Broadbent) a escrever sua obra-prima. Em 1970, a jornalista Luisa Rey (Halle Berry) conhece Rufus Sixmith (James d'Arcy) quando o elevador em que ambos estão quebra e acaba se envolvendo em uma trama nuclear de proporções apocalípticas. Nos dias atuais, Timothy Cavendish (Jim Broadbent) é dono de uma pequena editora, precisa se esconder de um autor violento e acaba preso em uma instituição psiquiátrica. Em uma Coréia do Sul futurista, Sonmi-451 (Donna Bae) é um clone que trabalha em um restaurante fast food. Ela foi programada para realizar todo dia as mesmas tarefas, sem manifestar qualquer reclamação, mas a situação muda quando outro clone acaba, sem querer, despertando-a sobre sua existência. Em um futuro pós-apocalíptico, conhecemos Zachry (Tom Hanks) e sua tribo que venera Sonmi como se fosse uma deusa. Sua vida muda quando a evoluída Meronym (Halle Berry) lhe pede para viver com sua tribo em troca de um favor.

Direto aos problemas, eu começo pelo título. Reza a lenda que o o nome "A viagem" foi dado porque acharam que tinha a ver com espiritismo e vidas anteriores e associaram o filme à antiga novela da Globo de mesmo nome. Acreditam? Pois é... na verdade, não existe encarnação, mas um maldito sinal de nascença em forma de cometa e o uso contínuo de atores em maquiagens distintas dão a entender que sim. Em alguns casos podemos até discutir algo como memória genética e por aí vai... Mas não! Não é sobre encarnação, mas sobre a repercussão dos atos que tomamos em vida! Confesso que não sei como traduzir o título, mas o que está não rola.

O segundo problema é a edição. Não há um porquê explícito nos cortes entre as histórias. De repente vamos do século XIX ao futuro pós-apocalíptico aos dias atuais em um piscar de olhos. Quase uma novela de Glória Perez... Às vezes até demoramos a nos dar conta do que estamos vendo. E isso é chato porque as histórias não são todas interessantes. Acho que 2 ou 3 te prendem e te fazem querer saber mais, como a história de Jim Broadbent como um editor preso em um hospital psiquiátrico. É leve, engraçada, romântica. A Coréia futurista lembra demais Matrix (1999) - que também foi dirigido pelos irmãos Wachowski - e nos intriga e nos envolve a cada cena (seria uma nostalgia ao original Matrix que desencadeou sequências medianas?). Podiam lançar um DVD onde poderíamos assistir cada história separadamente, na ordem que quiséssemos...

Por último, vem o objetivo. O filme começa em um lugar qualquer e vai pra lugar nenhum. Não estou falando de locações, mas de um motivo, um porquê, uma razão para aquilo tudo estar acontecendo. Ou seja, o filme acaba e é fácil você procurar uma razão para você estar ali vendo aquele filme.

Mas também não achei tão devastador assim. A maquiagem é interessante (mas não é essa cocada toda que estava sendo proclamada. Talvez merecesse uma indicação). Vale a pena esperar os créditos para ver como os atores se transformaram ao longo do filme. É um filme grandioso que vale o ingresso do cinema pelas imagens e sons. E só.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Ao Oscar com: O HOBBIT

O retorno à Terra Média é o filme de hoje. Falemos de O Hobbit: Um jornada inesperada (The hobbit: An unexpected journey, 2012). Vamos a história:
Bilbo Bolseiro (Martin Freeman) vive uma vida pacata no condado, como a maioria dos hobbits. Um dia, aparece em sua porta o mago Gandalf, o cinzento (Ian McKellen), que lhe promete uma aventura como nunca antes vista. Na companhia de vários anões, Bilbo e Gandalf iniciam sua jornada pela Terra Média. Eles têm por objetivo libertar o reino de Erebor, conquistado há tempos pelo dragão Smaug e que antes pertencia aos anões. No meio do caminho encontram elfos, trolls e a criatura Gollum (Andy Serkis) com seu precioso - e já famoso - anel.
Impossível não se sentir em casa. Temos Frodo, Gandalf, Gollum, Saruman, Lorde Elrond, Galadriel... As paisagens são familiares e até mesmo os personagens desconhecidos nos passam uma sensação de deja-vu.

E isso é tão bom quanto ruim... porque o filme é chato! Já passamos pela longa trilogia do Senhor dos Anéis (Lord of the Rings, 2001, 2002 e 2003) e não somos apresentados a nada novo. São as mesmas correrias e batalhas lotadas, sendo que os efeitos especiais não parecem ter evoluído e é possível detectar alguns problemas de continuidade (fora os inúmeros clichês). E o pior é que Peter Jackson resolveu criar uma nova trilogia caça-níqueis que deixou esse filme sem um final e com partes alongadas que nem o fino livro considera! Devemos esperar ainda por Aragorn, Legolas, blá, blá, blá que não aparecem no livro!

Só Gollum salva! Mesmo um vilão, ele já havia conquistado o público e agora é facil você torcer por ele e vê-lo como vítima. Sua disputa com Bilbo é um dos poucos bons momentos do filme.

Apesar disso tudo, com certeza irei ao cinema para ver as continuações por mais chato que seja. E quero deixar aqui uma questão que me intriga desde a trilogia inicial: porque Gandalf não convoca as águias desde o início e encurta essas viagens longas e perigosas? Cara chato!

O filme está concorrendo à prêmios técnicos e tem chance de levar alguns, mas não merecia só por conta desse capitalismo exagerado que arruinou o potencial de um filme único (ou, no máximo, dois).

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Ao Oscar com: OS MISERÁVEIS

Hoje falo da adaptação da obra de Victor Hugo, Os Miseráveis (Les miserábles, 2012). O escritor contou a seguinte história:
Próximo a Revolução Francesa do século XIX, Jean Valjean (Hugh Jackman) rouba um pão para alimentar a irmã mais nova e acaba sendo preso por isso. Solto tempos depois, ele recebe uma segunda chance de se redimir e se reinventar para fugir da perseguição do inspetor Javert (Russell Crowe). Seu caminho se cruza com o da desesperada Fantine (Anne Hathaway) e toda sua vida muda quando ele promete cuidar de sua filha, Cosette.

Tive a sorte (e o enorme prazer) de conhecer esta obra-prima através da montagem na Broadway. Dessa forma, tudo era familiar... mesmo assim... a emoção fluiu em cada música, cada momento, cada lembrança. Fico muito feliz de saber que ainda me arrepio com música e que ainda sou tocado pela arte. Isso me sublima.

Dito isto vamos às considerações. As reclamações ao filme são inúmeras, porque ele é totalmente musical, ou seja, sem quaisquer diálogos. Talvez os incautos não tenham entendido que o filme é uma adaptação do que foi feito na Broadway, e não ao livro, e por isso tenham saído injuriados.

Alguns que viram a magnânima peça também reclamaram da linguagem. Ora... são duas mídias diferentes! Claro que tinha que ser diferente! No teatro, temos acesso visual a tudo com destaque para a iluminação, ou seja, quando alguém canta você vê o ator inteiro e a parte do cenário que está iluminada. Quando temos dois ou mais cantores em cena, podemos ver tudo ou escolher o que ver e ouvir. No cinema, não: nós vemos o que o diretor quer. A saída de Tom Hooper foi dar um close nos atores em seus momentos musicais, como se fosse a iluminação do teatro que faz todo o foco ficar em cima deles. Em caso de cenas de ação, duetos ou mais cantores ficamos a mercê das decisões da direção (e às vezes ficamos sem saber quem está cantando. Mas não é assim no teatro?).

Isso é ruim, então? Acho que não. Isso dá aos atores um potencial dramático único. Hugh Jackman (que já ganhou prêmios como cantor da Broadway) consegue ficar irreconhecível e se distancia de seus papéis de galã de ação. Anne Hathaway só precisou de uma música (e que música! Que cena!) pra ser indicada a todos os prêmios do cinema americano e (se não me engano) levá-los pra casa. Helena Bonham Carter e Sacha Baron Cohen (isso mesmo... o Borat!) dão o alívio cômico sem se perder na força dramática da história.

Não sei se o filme irá levar muito mais do que o prêmio de Anne Hathaway - e alguns prêmios técnicos -, porque esse filme é, na verdade, a música. Impossível não querer entrar para a resistência francesa com todos aqueles incríveis hinos (e com o esperto Gavroche) ou se apiedar da on-my-own Eponine. Até o fraco Russell Crowe (aliás... era ele mesmo cantando?) e a acima-do-tom Amanda Seyfried são salvos pela música.

Repetirei quantas vezes for necessário: a música é sublime e a arte é capaz de nos salvar de nós mesmo.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Ao Oscar com: O LADO BOM DA VIDA

Hoje vamos saber mais sobre o ótimo O lado bom da vida (Silver linings playbook, 2012). Como de praxe, primeiro a história:
Por conta de algumas atitudes agressivas, Pat Solitano Jr. (Bradley Cooper) perdeu tudo na vida: sua casa, o emprego e o casamento. Depois de passar um tempo internado em um hospital psiquiátrico, ele retorna para a casa de seus pais, decidido a reconstruir sua vida, passando por cima do passado recente, até reconquistar a ex-esposa. Embora seu temperamento ainda inspire cuidados, um casal amigo o convida para jantar e ele conhece Tiffany (Jennifer Lawrence), uma jovem viúva também problemática. Ambos iniciam uma amizade que provoca mudanças significativas em seus planos futuros.
Adoro quando vou ao cinema sem quaisquer expectativas e saio supreendido! Avaliado como drama, o filme deveria ser classificado como tragicomédia romântica. É duro ver todo o cinema rindo - inclusive você! - das situações difíceis que os personagens passam. Parece quando rimos assim que alguém cai da cadeira... não deveria ser engraçado!

Neste filme percebemos que todo mundo tem problemas, mas são os considerados problemáticos que possuem a probabilidade de se tornarem pessoas melhores. Os "normais" vivem conformados em suas insatisfações, suas inseguranças e suas manias sem saber (nem se dar conta de) como sair disso.

E o filme ainda tem Jennifer Lawrence roubando TODAS as cenas! Mesmo quando ela está frente a frente com Robert De Niro! Aliás, a melhor cena é quando ela dobra o ator. Seu Oscar seria garantido se a concorrência não estivesse tão equilibrada, mas ela andou ganhando praticamente tudo que disputou, então, a chance é grande. De Niro e Cooper devem ficar felizes por suas indicações e só. Como o filme foi produzido pelos pelos papa-títulos dos irmãos Weinstein, tem gente apostando na vitória final. Se ganhar será ótimo, mas acho difícil porque existem algumas inconsistências e fortes concorrentes.


terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Ao Oscar com: DJANGO LIVRE

Hoje falarei sobre o faroeste de Tarantino, Django Livre (Django unchained, 2012). Primeiro, a história:
Django (Jamie Foxx) é um escravo liberto cujo passado brutal com seus antigos proprietários leva-o ao encontro do pouco ortodoxo Dr. King Schultz (Christoph Waltz). O alemão compra Django com a promessa de libertá-lo quando tiver capturado seus torturadores, vivos ou mortos. Missão completa, Schultz transforma Django em um caçador de recompensas, tendo como objetivo principal encontrar e resgatar Broomhilda (Kerry Washington), sua esposa, que ele não vê desde que ela foi adquirida por outros proprietários, há muitos anos. Sua busca os leva a Calvin Candie (Leonardo DiCaprio), o dono de uma plantação famosa que treina os escravos locais para lutar. A partir daí, o cerco toma forma e são feitas escolhas entre independência e solidariedade, sacrifício e sobrevivência.

Antes de assistir esse filme, é preciso entender Tarantino, pois o filme tem todos os clichês do diretor. Quando vi a primeira parte de Kill Bill (Kill Bill: vol. 1, 2003) no cinema, eu ri horrores com todo o sangue esguichado porque sabia das homenagens que estavam sendo feitas. Mas depois de ver Bastardos Inglórios (Inglourious basterds, 2009) e Django, fica-se a certeza que Tarantino criou um "estilo" cinematográfico próprio: da vingança sanguinolenta (ou estaria ele ficando repetitivo? Será que devemos esperar uma vingança sanguinolenta em ficção científica espacial?).

Bom... o filme não é pra qualquer um. Nenhuma atuação consegue se destacar porque Tarantino é quem aparece. Ele é o filme. Aliás, um filme longo demais, mas que não poderia ser mais editado ou não seria Tarantino. Inclusive acho que Christoph Waltz deveria se afastar um tempo dele, porque, depois de ganhar o Oscar com seu excelente nazista, seu doutor (também alemão) caiu na mesmice.

Agora venho me retificar: apenas um ator aparece e ele se chama Samuel Jackson, o arroz de festa de Hollywood. Há alguns anos, Jackson decidiu participar de todos os filmes possíveis porque gosta de trabalhar. Assim entrou para os novos Guerra nas Estrelas (como o jedi Mace Windu) e para os filmes da Marvel (como o diretor Nick Fury), entre muito outros filmes que podem ter suas qualidades questionadas. Mas o talento do ator não. Seja protagonista ou coadjuvante, Jackson se entrega ao personagem da forma que o diretor pede: caricato e polêmico.

Pra mim, o filme sai de mãos vazias ou com prêmios técnicos.