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quinta-feira, 17 de maio de 2018

Expectativa infinita

A última vez que fui ver um filme duas vezes no cinema foi em 2004 no primeiro Jogos Mortais (Saw), mas eu precisava fazer isso novamente em Vingadores: Guerra Infinita (Avengers: Infinity War, 2018). Não somente por ser fã, mas para ter certeza do que ia escrever aqui sem ser herege...

O filme não é isso tudo.

Pronto. Falei.

A junção de todos os personagens é sim o grande fator de vitória desse filme que já estourou bilhões de recordes e dólares. Mas eu saí da primeira sessão que fui com o sentimento de que tinha muito furo de roteiro. Poucos minutos depois eu já tinha uma lista. Preferi, então, ver de novo e a lista meio que se ratificou (e aumentou).

Sou fã, mas não sou cego. A Marvel tem a capacidade incrível de amarrar filmes diversos com essa quantidade absurda de heróis/celebridades. Sabe fazer filmes grandiosos com cenas emocionantes e impressionantes... mas dessa vez ela se complicou. Até conversei com uma amiga (né, Déa!) sobre a a necessidade de um filme entreter e emocionar, mas esse ficou só no entretenimento.

A partir daqui... SPOILERS. Continue por sua própria conta e risco.

Aliás... essa história de spoiler vale um adendo antes de começar. A Marvel fez uma campanha enorme para que as pessoas evitassem comentar o filme após ter visto. Claro que isso funcionou para aumentar as vendas de ingresso, mas ela deveria lançar menos trailers com cenas fundamentais – e olha que dessa vez ela até foi malandra porque colocou em trailer uma monte de cena que não apareceu NESSE filme. Isso criou um aumento exponencial da expectativa ao redor desse filme... o que já era altíssimo ficou estratosférico, assim como a frustração.

Sempre que te peguntarem "primeiro a notícia boa ou a ruim?" responda que quer a ruim primeiro porque depois a boa pode suavizar a situação. Então, vamos aos INÚMEROS problemas... começando com o maior furo:
  • Dr. Estranho. Se você ainda não viu o filme do Dr. Estranho, veja e entenda como ele não só entrega o próximo filme como ele é o maior problema. Nesse filme, vemos um exponencial crescimentos dos poderes do mago. Porém, em seu filme – onde ele ainda está APRENDENDO a controlar as artes místicas –, ele consegue entrar na Dimensão do Espelho, onde mantém a integridade da realidade... consegue viajar para a Dimensão do demônio Dormammu... consegue usar o Olho de Agamotto (a Joia do Tempo) para reformar tudo. E nesse filme ele faz o quê além de escudinhos, chicotinhos e portais espaciais? Por que ele não levou os primeiros alienígenas para a Dimensão do Espelho? Por que ele não abriu um portal de Titã para a Terra? E não me venha dizer que foi por causa do plano do Stark. E pior... por que ele nunca usou a Joia??? Aí você vai dizer "ah, mas ele usou para prever os futuros" e então eu digo "pronto, ele entregou o filme". Essa cena é a que já diz que tudo está acontecendo porque é assim que tem que acontecer.
  • Hulk fracote. O que estão fazendo com o Hulk desde o Ragnarok é inadmissível. Nem é um dos meus personagens preferidos, mas ele se tornou um idiota. Bruce também não era um idiota... é só ver o primeiro filme dos Vingadores e ver o que está certo. Aliás, nesse filme também vemos uma forma de tirar o medroso* Hulk de dentro de Bruce: é só jogar na meio da batalha. (*o asterisco é porque os roteiristas disseram que não é medo da surra que ele levou de Thanos: Hulk está só fazendo birra. Ou seja.... ridículo).
  • Visão fracote. Um corpo feito de adamantium capaz de mudar a densidade. Uma joia do infinito na testa. E tudo que ele sabe fazer é cabelo e pele pra ficar de namorico? Sério? Por que isso? Com uma lança alienígena já tiraram a capacidade dele mudar a densidade? E o adamantium? Não é nada? Usar a joia pra quê, né?
  • Ultra-mega-blaster-Thor. Tudo que fizeram com ele no Ragnarok foi desnecessário. Pra quê destruir o Mjolnir se iam dar um novo pra ele? Pra quê perder um olho se iam dar um novo tecnológico sem sentido pra ele? Pra quê emanar poderes elétricos se ele só sabe fazer isso direito com o martelo/machado? Aí ele fica vingativozinho e põe tudo a perder porque não enfia o machado na cabeça de Thanos em nome da tortura? Ah tá... a Marvel não mata, mas tortura. Entendi... Pelo menos esse filme confirmou que a Marvel queria acabar em definitivo com a franquia asgardiana: matou TODO mundo que restou (existe uma dúvida se Loki realmente morreu, mas acho que sim... porém... ainda tem uma forma de mudar isso).
  • Capangas poderosos (ou não). Thanos tem quatro capangas extremamente poderosos. Só um tem nome de tão ruins que são. Fauce de Ébano (no filme não aparece o "de Ébano") ganhou superpoderes telecinéticos, quando ele é mais um telepata. Independente disso... eles são tão sem sal, sem propósito, tão iguais e com mortes tão simplórias... pra quê, então? Colocasse generais/agentes sem rosto, nome.
  • Inconstância de poder. Isso tem a ver com os itens anteriores. Hulk foi estabelecido como o mais poderoso do MCU com direito a frase "Nós temos um Hulk". Thor é um deus e rei de Asgard. Visão é de adamantium e usa uma joia infinita. A Feiticeira Escarlate tem o poder de destruir uma joia do infinito e segurar Thanos. Ou seja, quatro personagens que poderiam solucionar o filme, mas que precisaram ser diminuídos e descaracterizados para ficar difícil... (isso sem falar no Groot que poderia resolver algumas situações de forma bem mais rápida, mas se tornou um adolescente bobo #redundância) Mas difícil para um Thanos que usa as Joias do Infinito e tem uma guarda superpoderosa? Aí vem o item abaixo...
  • Onipotências inconstantes das joias. Você viu o primeiro filme dos Guardiões, certo? Com a Joia do Poder que destruía um planeta só de encostar no chão? Aqui ela se resumiu a raios laser... A Joia da Realidade (o Éter, do segundo filme do Thor) é um gerador de ilusões momentâneas (veja cena da desconstrução do Drax e da Mantis, além do flashback de Titã) ou é realmente capaz de mudar a realidade (veja a cena de transformar laser em bolhas de sabão)? Se você pensar bem, só essa joia seria necessária... ou a Joia do Espaço (o Tesseract, ou Cubo Cósmico, do primeiro filme dos Vingadores), pois era só transportar os alvos ou aparecer, pegar e sair. A Joia do Tempo (Olho de Agamotto do Dr. Estranho) e a da Mente (do Visão) são inutilizadas no filme... e a tão procurada Joia da Alma permanece um mistério (que falarei em segredo mais abaixo).
  • Mortes sem apelo. É isso mesmo. Tenho certeza que as cenas finais chocaram todo mundo. Ah... mas vem cá... vocês realmente acham que Homem-Aranha e Pantera Negra, dois mega sucessos atuais da Marvel, vão continuar mortos? Vocês acham que os queridinhos Guardiões vão ficar mortos? Acreditam? Sério? Prestem atenção que TODOS OS VINGADORES INCIAIS ficaram vivos! Isso se chama FECHAMENTO. E é ÓBVIO que os outros vão voltar. Não sei se todos, mas vão. Como? Não sei, mas chuto já.

Podia continuar e falar também no destino absurdo que deram para o Caveira Vermelha, mas vamos suavizar agora com as partes boas:


  • A batalha de Wakanda. A grandiosidade, a força da nação africana (Okoye, líder das Dora Milaje saindo na frente do Pantera), os heróis trabalhando em conjunto (destaque rápido e divertido para Soldado Invernal e Rocky)... é o clímax do filme e dá vontade de ficar só ali.
  • Os Guardiões se tornaram peça fundamental do MCU. Claro que sendo um filme galáctico, eles teriam papel importante, mas percebe-se no cinema que TODO mundo espera por eles. Quill, Gamora, Drax, Groot, Rocky, Mantis e - é claro - o humor e a música que vem com eles. Colocar o Thor com eles é bem significativo... desde que ele foi pro espaço, literalmente, era preciso salvar esse herói e...
  • Ultra-mega-blaster-Thor. Ué... ele está aqui também? Sim. Acho que a Marvel resolveu mostrar que o Thor é mais do que os filmes solo e transformou ele num SUPER-super-herói. Encaixou o humor com o dos Guardiões, deram um novo ultra-mega-blaster-martelo/machado e fizeram suas cenas na batalha de Wakanda serem redentoras! A gente passa o filme esperando ele entrar na luta. Mas vocês já sabem que isso não é de todo bom.
  • Dinâmica heroica. Quill e Gamora. Thor e Quill. Thor e Rocky. Soldado Invernal e Rocky. Okoye e Viúva Negra. Falcão e Máquina de Combate. Homem de Ferro e Homem-Aranha. Dr. Estranho e Homem-Aranha. A presença do Capitão América. A sagacidade de Shuri. Já faz tempos que sabemos que os irmãos Russo (diretores) sabem fazer isso.
  • Mulherada. É inegável a força das mulheres nesse filme. Gamora é praticamente uma protagonista desse filme. Feiticeira Escarlate e Okoye talvez sejam a grande presença, mas parece que nossa eterna querida Viúva Negra vai finalmente ganhar um filme solo. Até Mantis ganhou um papel fundamental na batalha. Já falei da Shuri? Ela é ótima, até mesmo em uma única cena.
  • Armaduras. Tony Stark é realmente um mestre das armaduras. Além da nanotecnologia que transformou a sua armadura em algo incrível e mutante, temos a ótima do Homem-Aranha (conhecido nos quadrinhos como Aranha de Ferro) e a Hulkbuster sendo usada pelo Banner.
  • Thanos. Finalmente a Marvel acertou um "vilão". Já falei bastante aqui nas postagens de filmes o quanto os vilões da Marvel não são exatamente vilões e por isso as aspas. Josh Brolin ajuda a gente a entender o personagem. Não estou dizendo concordar, mas faz refletir e perceber... o filme É DELE, como se os herois só estivessem ali para impedir a sua jornada. E é isso mesmo. Tudo gira em torno de Thanos.

Bom... agora vou colocar palpites e soluções. Só que vou escrever em BRANCO. Se quiser ler – por sua própria conta e risco – marque o texto dentro da área avisada.

[MARQUE O TEXTO] Como eu disse, o Dr. Estranho entregou o filme. Ele fala que só viu uma única vitória dentro de mais de 14 milhões de possibilidades. Depois de inúmeros discursos chatos de ser o grande protetor da Joia do Tempo e deixar bem claro que deixaria o Homem de Ferro e o Homem-Aranha morrerem se fosse necessário, ele entrega a joia pra Thanos em troca da vida de Stark? Ah tá... ÓBVIO QUE ESSE CENÁRIO TODO É A VITÓRIA QUE ELE VIU. ÓBVIO! E vou além: ele usa a palavra ENDGAME antes de desaparecer... tô quase apostando que é o nome do próximo filme (mas pode ser também Avengers Forever, que é uma saga conhecida nos quadrinhos e faz essa referência de não importa quem esteja no grupo ou quem morra, o conceito dos Vingadores não morre nunca).

Evitei falar de quadrinhos, mas eles entregam parte do filme (quem quiser ler mais sobre isso clique AQUI). Esse filme é baseado no Desafio Infinito, saga que Thanos realmente consegue a manopla, as joias e estala o dedo para detonar metade da população do universo. Várias cenas estão desenhadas ali, porém, toda a relação que o "vilão" tem com a Morte (sim, a personificação da Morte) foi retirada do filme por ser sombria demais. Isso abre uma brecha. Não há como saber o que realmente a Marvel vai fazer para trazer a galera de volta (inclusive Asgard/Loki?), mas tenho a impressão que Gamora terá um papel fundamental. Até porque... GAMORA NÃO MORREU! ELA ESTÁ DENTRO DA JOIA DA ALMA. Aquela cena após o estalar de dedos, onde Thanos encontra a pequena Gamora acontece DENTRO da misteriosa joia.

E o Visão também não se acabou. Se você prestou atenção, Shuri conseguiu copiar os neurônios do Visão antes de ser atacada em Wakanda e ela pega um drive. Ali está o cerne do Visão. Provavelmente incompleto, o que deve deixá-lo durante um tempo mais "robótico" até que o amor o salvará... ai ai... quer apostar aqui também?

Mas existe a aposta de uma grande morte no MCU (com direito a funeral filmado) e eu aposto no Capitão América. Chris Evans já disse que seu contrato acabou e ele é a bússola moral da galera. Sua morte deve acabar com as dúvidas entre herois e fazer a união ser definitiva e VINGAtiva. Cogitaram a possibilidade de matar o Stark... mas eu duvido. Ele é o norte do MCU e ainda tem uma ligação muito forte com o Homem-Aranha. Talvez eu quebre a cara aqui e os dois morram... mas antes... tem que ter o reencontro, a reconciliação de ambos. Stark deve voltar de Titã com ajuda de Nebula e eles vão se unir 

Wakanda vai ter uma mudança significativa. Você percebeu que Thanos sentou numa cabana wakandana para ver o pôr-do-sol? Não? Pois é... ele está em Wakanda! Perceba também que M'Baku sobreviveu e, provavelmente, poderia querer o trono novamente. Sem T'Challa caberia a Shuri enfrentá-lo... e isso já aconteceu nos quadrinhos: ela se tornou a Pantera Negra. Dava para encaixar isso com a reconstrução do Visão, porém, a sequência só deve sair depois do próximo filme da equipe. Então, temos que pensar numa Wakanda que aumentou o contato com o mundo e ainda por cima deu de cara com invasores do espaço.

Não podemos esquecer da cena pós-crédito sem qualquer surpresa (porque todo mundo sabe das gravações), onde Fury e Hill desaparecem, mas não sem antes chamar a Capitã Marvel. Independente do nome (que pode confundir os desavisados), a heroína é uma das grandes forças da Marvel e carregará o peso de ser o primeiro filme protagonizado por uma mulher dentro do MCU. É bem possível também que marque o retorno de Coulson ao MCU já que ele só está na série Agents of Shield, mas aparecerá no filme dela. [FIM DO TEXTO]

É isso. Daqui a pouco teremos a sequência do Homem-Formiga com a Vespa e saberemos mais sobre a ausência deles nesse filme. Vamos ver em 2019 se a Marvel conserta isso e nos entrega um futuro relevante para o MCU. Espero estar MUITO errado e ser REALMENTE surpreendido.

quarta-feira, 25 de abril de 2018

Pantera Negra

Pantera Negra (Black Panther, 2018) é um filme de super-herói, gente. Nada mais do que isso e nada diferente do que a Marvel faz com relação a enredo. Está tudo lá: a ascensão e queda do herói para sua final redenção, a ascensão do vilão até sua derrota, as grandes perseguições e cenas de combate, a tecnologia, o humor... fórmulas que a Marvel já está craque.

No entanto, é preciso entender o fenômeno social que levou esse filme a bater inúmeros recordes (na casa de 1 bilhão de espectadores), a botar um super-herói na capa da revista Times e estar com possibilidades de disputa de Oscar.

Enquanto o filme da Mulher-Maravilha deu força à mulher não só como protagonista, mas em todos os aspectos dentro do filme (direção, figurino, direção de arte e por aí vai) e fora dele (manifestação anti-assédio), o filme do Pantera Negra traz a representatividade étnica com um elenco estrelar, 98% negro, cineasta negro, mostrando não uma África sofrida, mas uma África ACIMA da cultura branca ocidental europocêntrica com diversas críticas pontuais muito bem feitas.

Nós temos empatias por todos os personagens (interpretados por FERAS como Chadwick, Lupita, Forrester e Angela, somados a Daniel - de Corra! -, Letitia - grande Shuri -, Danai - poderosa Okoye, chefe das Dora Milaje -, Winston - o Homem-Gorila - e Michael B. Jordan em redenção cinematográfica, entre muitos outros). São tantas texturas, complexidades, nuances dos personagens traduzidas num visual arrebatador que une à tecnologia às expressões tradicionais africanas. Os vilões novamente não são vilões, mas aqui nesse filme isso é bom. Somente Ulysses Klaue (Andy Serkis) pode ser considerado realmente "do mal".

O filme está conectado diretamente à Guerra Civil e Vingadores 2, seja pela presença do Soldado Invernal, seja pela presença de Martin Freeman após os problemas na ONU. É meio longo, porém, necessário para apresentar todas as referências do Pantera e ainda mantê-lo conectado ao MCU.

Como aqui nessas postagens eu tenho falado sobre a relação cinema/quadrinhos... posso afirmar: a Marvel acertou em cheio! Acho que tudo estava no filme. Até as adaptações foram bem feitas, como o "superuniforme". E pra mim, é por isso, que esse é um grande filme do MCU.

segunda-feira, 12 de março de 2018

Famílias da Galáxia

We. Are. Groot.

Essa frase de Groot, a segundos de morrer e salvar a todos, determina toda a sequência do sucesso: Guardiões da Galáxia vol. 2 (Guardians of the Galaxy vol. 2, 2017) é um filme que fala de família, de uma equipe disfuncional exatamente por serem mais do que simples amigos ou mercenários. Vejam:
  • A paternidade do Senhor das Estrelas já era uma questão desde que Peter segura a Joia do Infinito contra Ronan e a Tropa Nova descobre que ele tem meio sangue alienígena. Na última cena do primeiro filme, ainda vemos Youndu conversando com Kraglin sobre o sequestro de Peter ter sido encomendado por seu pai. Nos quadrinhos, Peter é filho de J'Son, regente do planeta Spartax. Aqui ele é elevado a categoria celestial ao ser filho de Ego, o Planeta Vivo. Apesar da mudança drástica, a ideia caiu bem se avaliarmos o personagem de Peter em si. No entanto, essa relação é a mais morna e lenta do filme.
  • Isso porque a outra "paternidade" é muito melhor: o carinho nutrido por Youndu, transforma o quase vilão no primeiro filme em um anti-herói (e numa Mary Poppins badass) que fecha o filme com tristeza. O crescimento desse personagem é gritante.
  • Peter e Rocky estabelecem uma visível relação de irmãos em constante conflito, assim como Gamora e Nebula. Só entendemos Rocky depois de uma conversa que ele tem com Youndu que aumenta a carga emocional de ambos os personagens. Só entendemos Nebula, quando Gamora lhe dá ouvidos. Esses personagens ganham profundidade e nos conecta.
  • Rocky e Groot se tornaram sucessos mundiais e até ganharam revistas próprias. Porém, é Groot que se torna protagonista. Ele termina um bebê germinando e começa um bebê birrento. Vive brigando com Drax (seu irmão birrento), mas termina em seus braços. Peter e Gamora estabelecem uma relação de quase filho com ele, mas esse papel é de Rocky.
  • Drax é um caso a parte. Ele é aquele membro inconveniente da família independente do grau de parentesco. Pra mim, exageraram no tom, deixando muito acima do necessário, mas não dá pra negar que ele pontua o humor do filme.

Como já conhecemos os personagens, ficou mais fácil desenvolvê-los. O filme é muito mais grandioso do que o primeiro, principalmente se levarmos em consideração que agora o vilão é um planeta inteiro! No entanto, é possível ver que toda inovação foi gasta no primeiro filme: mesmas fórmulas são seguidas até mesmo de enquadramento de cenas. A música tão maravilhosamente bem colocada anteriormente também tem seus momentos, mas não chega aos pés.

Com relação a Ego, sinceramente, teve seus altos e baixos. Ser um celestial, dar poderes a Peter, plantar flores em planetas... acho que ficou tudo cheio de pontas a serem aparadas. O acerto ficou na contratação de Kurt Russel que acerta o tom e ainda parece fisicamente com Chris Pratt pra ser seu pai de verdade.

A entrada de Mantis pra mim foi muito mal construída. A personagem não é fácil de explicar nem nos quadrinhos, mas ela é totalmente desnecessária. Sim, ela está bem encaixada, mas me parece que seria possível resolver tudo sem sua presença. Assim como Ayesha e os Soberanos. Suas motivações são muito pequenas para uma perseguição vingativa ininterrupta, mas, na cena pós-crédito, pode ter sido responsável pela introdução de um personagem antagonista a Thanos: Adam.

A colocação de mais Guardiões da Galáxia como Saqueadores foi pra fã, mas não sei se teve o impacto desejado (NOTA: Sylvester Stallone interpreta um famoso guardião chamado Águia Estelar, que no filme está totalmente descaracterizado. Uma das cenas pós-créditos mostra outros também descaracterizados. Talvez Ving Rhames como Charlie-27 seja o mais próximo.)

Tiro como conclusão que esse filme ainda é muito bom porque os personagens construídos no primeiro se mantém em forma e são ainda mais aprofundados (com destaque para Youndu). Porém, a história de fundo precisaria de mais trabalho. A equipe agora será vista na Guerra Infinita e existem planos para o fechamento da trilogia em 2020, mas tenho a impressão que deveria parar.

segunda-feira, 5 de março de 2018

Força estranha

O segundo filme da terceira fase da Marvel se propôs a introduzir o universo místico da editora na telona: Doutor Estranho (Doctor Strange, 2016) expande o lado cósmico para o lado dimensional. O caminho pra isso já havia – de certa forma – sido pautado pelos filmes do Thor, já que os Asgardianos tornaram-se "alienígenas" (com uma pitada de Loki, algo que fica explícito nos pós-créditos), mas também pelos poderes surreais das Joias do Infinito e pelo microverso do Homem-Formiga. Neste filme, somos apresentados à magia como uma "programação da realidade" e, assim, o MCU tenta não se afastar (muito) do que seria possível.

O filme segue a fórmula Marvel e mantém a origem do personagem bem próxima dos quadrinhos. A arrogância de Stephen Strange é perfeitamente desenvolvida, até o acidente que o leva a uma jornada tanto mística quanto interior. É possível até perceber (para aqueles que acompanham todos os filmes) que Stephen começa como um Tony Stark e termina como um Steve Rogers, pensando em se sacrificar pelo bem maior sem desistir.

Os efeitos especiais desse filme são absolutamente incríveis. Sim... eles se inspiraram (bastante) no filme A Origem (Inception, 2010), mas foram além com o Multiverso dimensional criado. A cena ao avesso é de tirar o fôlego. O visual da magia – que traz mandalas hindus – também é lindo e o Manto da Levitação ganhou uma personalidade até divertida, porém, paradoxal já que parece não funcionar quando deveria (por exemplo, na incrível Dimensão do Espelho).


O elenco do filme é estelar, mostrando o quanto a Marvel continua atraindo os grandes nomes (seja pela quantidade absurda de dinheiro ou pelos desafios cinematográficos). A atuação de Benedict Cumberbatch foi muito elogiada e realmente está muito boa, porém, em vários momentos ele parece a pessoa errada para o papel, meio over. Isso respingou em Chiwetel Ejiofor, o (ainda não Barão) Mordo. Ele parece ser a razão, a consciência sobre o preço que se paga ao usar a magia indevidamente e até concordamos com ele ao longo do filme, entendendo sua motivação errada no final, o que lhe dá uma nuance de "vilão que não é exatamente vilão". Pena que é exatamente nessa transformação que o vemos ficar over.

Isso acaba sendo um contraponto com dois personagens: a Anciã e Kaelicius, protagonizados por Tilda Swinton e Mads Mikklsen. Ambos transmitem uma calma em suas atuações mesmo em suas cenas grandiosas de atuação, o que nos faz pensar que talvez o over de Estranho e Mordo sejam propositais. O caso de Tilda é a parte, já que o personagem nos quadrinhos é o estereótipo do ancião oriental careca de barbicha que domina todo o conhecimento. Ao ser escalada gerou dúvidas, mas ela dá um show, é claro.

Rachel McAdams como Christine Palmer está perfeita em toda cena que aparece, e Benedict Wong, o... Wong (!) também dá conta do recado mesmo sendo um retrato levemente diferente dos quadrinhos.

No fim, temos um bom filme de origem da Marvel que introduz vários novos elementos não só para a terceira fase, mas abre inúmeras possibilidades para o que virá depois da Guerra Infinita.

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

MCU - 10 anos

Em 2008, a Marvel lançava Homem de Ferro, o primeiro filme de seu universo cinematográfico.

Dez anos depois, ela irá concluir sua terceira fase com uma megassaga em dois filmes que colocará todos os seus heróis contra Thanos, o grande vilão galáctico!

Não é à toa que o Homem de Ferro está no centro dessa imagem promocional de dez
anos. Além disso, os únicos vilões que aparecem são Loki e Nebula (de Guardiões),
mas eles não são exatamente vilões, né? (clique na imagem para aumentar)

Já fiz a resenha do terceiro filme do Capitão América, Guerra Civil, porque a Marvel decidiu que – estando consolidada – estava na hora de lançar novos heróis. Doutor Estranho, seu próprio Homem-Aranha (porque os anteriores eram da Sony), Pantera Negra, Vespa e Capitã Marvel teriam sua vez, enquanto os Guardiões da Galáxia teriam uma continuação e Thor encerraria sua trilogia.

Então, começarei as resenhas até culminar na Guerra Infinita dos Vingadores, no fim de abril, que ainda não é o fim dessa fase. O terceiro filme terá uma continuação em 2019 que (aí sim) irá encerrar a fase e abrir um novo horizonte ainda sem rumo, provavelmente com as sequências de Homem-Aranha, Pantera Negra, Doutor Estranho e o fim da trilogia dos Guardiões da Galáxia. Aguardemos até lá!

sábado, 3 de fevereiro de 2018

MCU - Fase 2

Após os Vingadores detonarem o cinema, o que a Marvel poderia fazer para continuar com seu sucesso estrondoso? A resposta: apostar em mais heróis e na incrível dinâmica criada entre eles. Como já escrevi sobre todos os filmes dessa fase, farei alguns comentários gerais sobre esse momento.


FASE 2
  1. Homem de Ferro 3 (2013)
  2. Thor: O mundo sombrio (2013)
  3. Capitão América: O soldado invernal (2014)
  4. Guardiões da Galáxia (2014)
  5. Vingadores: Era de Ultron (2015)
  6. Homem-Formiga (2015)

O que precisa ficar claro é que a Marvel não só apostou alto como acertou muito na segunda fase. Porém, começou com um erro: Homem de Ferro 3... Na verdade... O que fazer com o Tony Stark de Robert Downey Jr., um do grandes responsáveis pelo sucesso do MCU? O filme privilegia o ator, ao mesmo tempo que nos presenteia com inúmeras armaduras com um jeitão claro de fechamento, como se ele nem fosse mais aparecer. O(s) vilão(ões) são péssimos e mostrou um problema com todos os filmes.

A saturação de filmes de heróis no cinema começou a colocar as produções em cheque, mas a Marvel percebeu o que deveria fazer. Primeiro, precisava consertar os filmes solo dos outros dois representantes de sua trindade, Thor e Capitão América. Depois, criar um ponte de ligação ainda mais forte entre eles, de preferência, uma ligação cósmica...

O segundo Thor se baseou na força do Loki de Tom Hiddleston para manter a grandiosidade. O vilão aumentou a mitologia nórdica da Marvel e eles introduziram o Éter como uma das seis Jóias do Infinito (ao lado do já conhecido Tesseract). Mesmo assim, não foi um filme muito bem considerado. O título "Mundo Sombrio" parece ter deixado o filme mais sério do que se esperava.

Já o segundo Capitão América veio pra arrebentar! Na verdade, talvez seja um dos melhores filmes da Marvel. Tem ação, espionagem, novo herói (Falcão), antigos heróis queridos (Viúva Negra)... até o vilão que não é um vilão funcionou muito! Esse filme também funciona como um outro fechamento com o fim da Shield e a preparação para o próximo filme dos Vingadores.

Mas aí veio o pulo do gato da Marvel... ou melhor dizendo... o pulo do guaxinim! A editora pegou heróis completamente desconhecidos do grande público e mostrou todo o seu potencial num filme praticamente perfeito. Estendeu o lado cósmico do MCU, amarrando os Guardiões da Galáxia com os Vingadores através das Jóias do Infinito, e mostrou que o gênero de super-heróis não se esgota se você tem uma boa história com bons personagens.

Até vou dizer que os Guardiões fizeram o segundo filme dos Vingadores perder um pouco a força. O filme tem algumas falhas mesmo... mas a inclusão do Visão, da Feiticeira Escarlate e de Wakanda deixaram os fãs mais satisfeitos. Porém, os Guardiões também abriram a porteira: Homem-Formiga, um dos vingadores originais, poderia sair do papel e entrar para o MCU. E deu certo com um filme mais família, diferente dos outros.

Essa segunda fase, então, serviu para ampliar a quantidade de heróis na telona e mostrar que esse gênero de filmes só precisa de um bom roteiro e uma boa direção, pois as histórias já fazem sucesso há mais de 70 anos nos quadrinhos. O MCU se estabeleceu de forma inegável e bem sucedida, mas estabeleceu um padrão elevadíssimo para a terceira fase que foi sendo construída junto à segunda.

quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

MCU - Fase 1

MCU é o Universo Cinematográfico Marvel, ou seja, o que a Marvel está fazendo com seus personagens no cinema: uma série de filmes individuais sobre os super-heróis da editora que se interligam. Capitão América, Homem de Ferro e Thor foram os responsáveis pela Primeira Fase do MCU e é disso que vou escrever até chegarmos à atual Fase Três, que irá culminar numa Guerra Infinita.


FASE 1
  1. Homem de Ferro (2008)
  2. Incrível Hulk (2008)
  3. Homem de Ferro 2 (2010)
  4. Thor (2011)
  5. Capitão América: O primeiro vingador (2011)
  6. Os Vingadores (2012)

Dos seis primeiros filmes, somente os dois primeiros não fiz uma resenha por aqui. Então, farei uma bem breve, enquanto as outras estão com links para leitura posterior.

HOMEM DE FERRO
É o filme que estabeleceu um novo padrão no cinema de super-heróis porque foi feito pela própria editora e não por uma produtora de filmes que não se preocupa com os personagens, mas em como fazer dinheiro. Então, tudo que os fãs pediram estava presente, mesmo com as adaptações necessárias. Robert Downey Jr. se tornou Tony Stark (pena que perdeu a mão no filmes posteriores) em um filme redondo na ação e no humor. A esperança estava reestabelecida e melhor... numa cena pós-crédito, a Marvel avisou que os Vingadores estavam sendo planejados.

INCRÍVEL HULK
Bom... nem me atrevo a falar do primeiro filme do Hulk. Talvez em outro momento, mas esse filme é muito interessante. Ele faz homenagem a antiga série de TV com Lou Ferrigno e traz vários elementos dos quadrinhos já ligados à "Iniciativa Vingadores", mesmo sendo um acordo entre a produtora e a editora. Edward Norton é um excelente ator e faz um Banner perfeito, mas parece que ele tentou mandar na Marvel e aí... vocês já sabem, porque outro Banner/Hulk foi contratado (Maek Ruffalo). O filme ainda tem ótimos personagens, como Betty Ross (Liv Tyler), General Ross (William Hurt), um Abominável interessante (Tim Roth) e uma promessa de Líder (Tim Blake Nelson). Infelizmente não se pode dar sequência (questões contratuais) porque o caminho era bom. Hulk se tornou um coadjuvante de luxo que acabou perdido no terceiro filme do Thor.

RESUMÃO
Mina de ouro. Uma mudança geral não só nos filmes de super-herói que se seguiram (de qualquer editora ou produtora), mas do cinema blockbuster em si. O tom de humor, de ação, de envolvimento tinham agora um padrão a seguir: o Padrão Marvel (que a DC não conseguia, até contratar o responsável pelos Vingadores para refazer a Liga da Justiça e chegar perto).

Sem poder cinematográfico sobre o Homem-Aranha, os X-Men e o Quarteto Fantástico era preciso achar um farol. Com dois filmes do Homem de Ferro, fica bem claro quem a Marvel escolheu. E não é por menos, porque, mesmo fora do tom, Robert Downey Jr. virou o jogo da sua vida e da editora.

Chris Evans calou críticos ao entregar um personagem crível em um filme muito bom. Um líder nato. Aliás, vale a pena ver TODA a trilogia do Capitão porque é só filme bom.

Já o filme do Thor não teve boas críticas. Nem o primeiro ou o segundo porque tinham uma "veia séria", apoiada em ciência e mitologia, com bem menos "humor Marvel" do que os fãs esperavam. Loki acabou com muito mais força do que todo o resto e Tom Hiddelston atingiu o estrelato. Mas me ouçam... São filmes interessantes. O que fizeram no terceiro filme do deus do trovão é só um GRANDE ERRO cheio de ERROS, e ainda envolveu o Hulk. Talvez o maior de toda o MCU até agora (isso porque não estou considerando o primeiro filme do Hulk e os filmes do Demolidor, da Elektra e do Motoqueiro Fantasma no MCU).

Steve, Stark e Thor se tornaram, então, a trindade dos heróis no cinema, com as adições da incrível Viúva Negra, o Gavião Arqueiro, o Máquina de Combate e Fury. A partir deles continuou-se (e ampliou-se) o MCU indo até a TV com a ótima série Agents of S.H.I.E.L.D que trouxe o querido Phil Coulson (antes um ótimo coadjuvante dos filmes e curtas) de volta à vida.

A primeira fase do MCU é o orgulho de todo geek como eu. Mesmo que já tivéssemos aranhas e mutantes há algum tempo, sabíamos que a Marvel trataria seus personagens como nós gostaríamos. O que veio a seguir foi só melhorando.

domingo, 25 de junho de 2017

Maravilhosa!


É muito fácil elogiar o filme da Mulher-Maravilha (Wonder Woman, 2017) porque ele é um filme da DC e está sendo comparado aos filmes recentes da editora ligados ao Superman. O filme merece muitos, mas muitos elogios mesmo. Porém, vamos com calma.

Vamos retornar primeiro à seleção da atriz. Não... ela não foi a escolha perfeita ou preferida. Zilhões de atrizes melhores estavam na frente dela. O que dizer da eterna Xena (Lucy Lawless) que foi sempre a Mulher-Maravilha (e - cá pra nós - merecia uma ponta nesse ou em qualquer filme com amazonas)? Uma miss? Modelo?

Aí ela apareceu no filme Batman vs. Superman... Leia aqui o que escrevi anteriormente sobre essa bomba, mas vou repetir: Gal Gadot aparece e engole o filme. O fato de ser Miss Israel foi na verdade um incremento positivo, porque, além de linda, ela teve treinamento militar (obrigatório para todas as mulheres israelenses). Deu vontade de ver o filme. E não seria qualquer filme porque se tenta fazer um longa-metragem da Mulher-Maravilha há anos, mas a sociedade de capitalismo machista não permitia.

Permitia... passado. Estamos em um novo momento social onde o que mais se fala é empoderamento feminino. Esse filme tem isso em seu cerne, porém, é mais do que somente um filme de/para mulheres. As cenas machistas parecem até ridículas para os dias de hoje, mas foram verdade. A personagem Etta tenta colocar humor nisso, mas Gal Gadot se sobressai. Ela não fala só das mulheres. Ela fala dos inocentes, ela fala das minorias, ela fala de todos nós.

E não é só nisso que o filme se sobressai. É o filme da DC que mais se aproxima dos quadrinhos e possui um enredo mais simples e óbvio que não quer mergulhar no universo sombrio criado com sucesso por Christopher Nolan nos Batmans de Bale e que não se sustentou nos filmes do Superman. Isso faz o filme mais palatável, mesmo com o excesso de cenas de batalha em slow motion (que até achei necessárias). Mas ficou um gostinho de quero mais na parte mitológica: a Ilha das Amazonas tem pouco tempo de filme e trazem a luz que faltava para os filmes da DC. Sorte da editora que a Mulher-Maravilha mantém sua luz na escuridão da Primeira Guerra Mundial que segue como pano de fundo, mesmo com vilões inexpressivos. Sim... Ares, o deus da guerra, é bem inexpressivo.

Dito isso, veja o filme. Vale muito a pena e abre um caminho novo no cinema que nem a Marvel conseguiu e só a Mulher-Maravilha poderia fazê-lo.

Se quiser saber mais sobre a amazona da DC, clique aqui.

sábado, 8 de abril de 2017

O Wolverine que eu sempre quis no cinema (?)

Eu sou colecionador de quadrinhos desde 1990 e possuo uma coleção de 8 mil edições. O número 36 do antigo gibizinho dos X-Men (Ed. Abril) me apresentou Wolverine e foi o cliché do amor à primeira (re)vista. Explicar o porquê disso acho que nem fazendo terapia, mas é fácil entender porque os mutantes se tornaram o que são hoje. Eles representam todas as minorias que possuem o potencial de fazer o mundo melhor, mas são impedidas por medos e preconceitos. Wolverine é aquele que enfrenta isso com uma coragem ímpar, mesmo tendo toneladas de questões próprias a resolver. E ainda faz de forma cínica, com um humor ácido só dele.

Quando disseram que iam levar o universo mutante para os cinemas, eu fiquei num estado de êxtase incomparável. Cheguei a ter queimação no estômago e suor frio ao ver o filme que iniciou a franquia em 2000. Toda essa exaltação se transformou numa expectativa louca que parecia se frustrar por conta de um purismo amadurecido em 10 anos de leitura. Como Wolverine poderia ser interpretado por um ator de 1,90m quando ele é o “nanico” dos quadrinhos? Isso foi se suavizando com o entendimento de que mídias diferentes precisam de adaptação e que Hugh Jackman incorporou o herói de uma forma inexplicável.

E aí... 9 filmes e 17 anos depois... chegamos ao alardeado último filme de Hugh Jackman como o Wolverine. As críticas foram tão positivas que não tinha como a expectativa não se elevar. A frase mais comum de se ouvir era “esse é o filme que você sempre pediu do Wolverine”. Será?

Bom... o filme que eu pedi não é esse. Não funcionou pra mim. Para entender isso, resolvi fazer uma maratona dos filmes X e uma releitura do que já havia escrito sobre eles. Mas, entenda, eu farei uma análise muito mais quadrinística, do personagem em si, do que propriamente sobre cinema, pois sou cinéfilo, mas não expert na telona.

Então, vem comigo:

X-MEN – O FILME
X-Men, 2000 = sigla X1

Esse filme deve ser reverenciado por todo mundo que ama quadrinhos porque ele é O precursor, aquele que abriu caminho para a nova onda cinematográfica dos super-heróis. Eu sei que tivemos inúmeros Supermen e Batmen antes, mas é nesse que o grande público fica conhecendo os mutantes e mostrou o potencial do retorno desse gênero na telona. O filme foi tão grandioso que influenciou os próprios quadrinhos de onde saíram.

Com 10 minutos de filme, somos apresentados a Wolverine numa arena de luta, onde ele é ligado à jovem Vampira e começa a ser o fio condutor da história. Essa ligação se assemelha ao que a Marvel fez com sucesso nos quadrinhos entre o carcaju e a jovem Jubileu (que chega a aparecer de passagem em uma cena desse filme, mas com a fala cortada), mostrando o coração enorme do baixinho e seu potencial como mentor.


Nos minutos seguintes, vemos que Hugh Jackman (mesmo não sendo o nanico que o personagem pedia) veste a jaqueta do herói com maestria até quando enfrenta um Dentes-de-Sabre ridículo e selvagem em uma história que permite um rumo diferente das HQs.


Em flashbacks de sonhos ou telepatia, temos o primeiro vislumbre do passado sombrio de Wolverine com a aplicação de adamantium em seus ossos. Seus colegas de equipe ficam impressionados com as experiências que fizeram nele e com sua falta de memória, além – é claro – de seu incrível fator regenerativo. A relação com Jean se torna o segundo fio condutor, mas não só desse filme, como de toda a primeira trilogia.


Ainda nem sabia o que era blog quando esse filme foi lançado, então, jamais fiz uma resenha. Não é o objetivo aqui, mas aconselho: vejam. É aqui que Hugh Jackman alça o personagem (e o ator) ao estrelato fazendo com que o segundo filme da franquia tenha o seu passado como base.


X-MEN 2
X2, 2003 = sigla X2

O início de X2 nos apresenta o mutante Noturno em uma cena incrível, abrindo passagem para o passado de Wolverine no Lago Alkali e para a ascendência da Fênix. Novamente, Wolverine é colocado com os mais jovens e acaba como um “professor” (o que depois gerou uma série televisiva animada e o herói ganhando esse cargo nos quadrinhos). Sua cena principal inclusive se dá na escola de Xavier, quando precisa proteger os alunos de um confronto militar. Hugh Jackman protagoniza uma cena realmente digna do herói com violência e drama na medida exata.



No primeiro filme, Wolverine tem duas cenas de combate: uma contra Mística e outra contra o Dentes-de-Sabre de araque. Apesar da violência não sanguinolenta, em ambas ele termina cravando suas garras nos vilões (que supostamente não podem morrer). Já nesse segundo filme, Yuriko (a Lady Letal dos quadrinhos) trava uma luta bem agressiva com o herói e o deixa bem mal. O fim da vilã pode ter servido de inspiração para a “morte definitiva” de Wolverine nos quadrinhos.


Com a presença do General William Stryker (em sua primeira aparição cinematográfica) e a locação do Programa Arma X, a memória de Wolverine retorna mais um pouco: vemos o tanque de adamantium e cenas de sua fuga dolorosa e violenta que deixou marcas nas paredes. Numa conversa com o general, Logan fica sabendo que ele se voluntariou para o programa e ainda trabalhou com ele.


Ficou parecendo que os responsáveis pelo filme quiseram entrar no esquema da Marvel de oferecer pouco sobre Wolverine e ainda iniciaram o processo de vulnerabilização do personagem (que até chora com a “morte” de Jean).


X-MEN 3: CONFRONTO FINAL
X-Men: The Last Stand, 2006 = sigla X3

Complicado falar de um filme que deteriorou a franquia mutante no cinema ao fazer as piores escolhas para levar a Saga de Fênix para a telona. Wolverine, por exemplo, continua em seu processo de domesticação (termo que chega a ser usado). Dessa vez não é a posição de professor que o transforma, e sim o amor por Jean. Ele altera de líder pra chorão o tempo inteiro e isso vai descaracterizando-o e desestabilizando-o. Mas esse amor é o que vence no final.


Wolverine tem novamente duas cenas de combate: a da floresta em busca de Jean, onde ele solta seu lado furioso quase como a cena da mansão no filme anterior; e a cena final onde enfrenta tantos mutantes aleatórios que quase não conseguimos ver. Mas são duas outras cenas que chamam atenção porque enxergamos a essência do personagem: logo no início, na Sala de Perigo, onde acontece o arremesso especial com Colossus e, no meio da batalha dos mutantes, quando enfrenta o mutante que regenera os braços mas não um chute certeiro.


Curiosidade: em uma cena deletada, Wolverine abandona os X-Men depois de ter matado Jean e retorna ao bar onde lutava por dinheiro e encontrou Vampira em sua primeira aparição.


X-MEN ORIGENS: WOLVERINE
X-Men Origins: Wolverine, 2009 = sigla W1 = resenha original

Mesmo com a queda dos X-Men no cinema, Hugh Jackman transformou Wolverine num personagem maior. Nos quadrinhos, por exemplo, ele se tornou onipresente participando de mais de uma equipe dos X-Men, tendo uma equipe própria, virando um Vingador, além de sua série solo. Nessa época também foi revelada não só uma parte do passado obscuro de Logan (na saga Origem, utilizada como referência para esse filme) como devolveram suas memórias há tanto perdidas.

O passado secreto de Wolverine é, então, construído: sua infância no século XIX, suas garras de osso, sua ligação fraternal com Victor Creed (Liev Shcreiber como o Dentes-de-Sabre certo, à altura do sádico personagem) ao longo do tempo, os colegas mercenários – com direito a Deadpool (ruim), a segunda aparição do Coronel Stryker no cinema e como perdeu sua memória. A caracterização de Hugh Jackman está beirando a perfeição em um filme recheado de referências que vão desde frases icônicas à jaqueta que remete ao uniforme clássico, mostrando que o objetivo era fazer um filme para fãs.

Temos também a primeira versão completa de como colocaram o adamantium em Logan sem ser em sonhos ou flashbacks cortados. Temos poucas diferenças visuais e conceituais com relação ao mostrado anteriormente, mas a desculpa recai sobre a memória fragmentada de Logan. Sabemos que ele foi voluntário para o Programa Arma X em busca de vingança contra Dentes-de-Sabre e tem uma fuga com menos violência do que esperado. A saída do tanque de adamantium vai ficar marcada – e não só por causa da nudez de Hugh, mas pela ferocidade que se aproxima do ocorrido nas HQs.


As duas disputas entre Wolverine e Dente-de-Sabre são ótimas, mas é a cena da Moto vs. Helicóptero – a primeira que Wolverine utiliza suas garras recém-cobertas de adamantium – que será lembrada nesse filme que tinha tudo pra ser o tal que eu pedi.


Acontece que, mais um vez, escolhas erradas descaracterizaram personagens coadjuvantes que deveriam dar profundidade a Wolverine mas tiraram seu foco, como:
  • Raposa Prateada (Kayla): um personagem obscuro e importante nos quadrinhos que virou uma mutante com poderes de persuasão e irmã de...
  • Emma Frost? Oi? Pra quê?
  • Gambit (Remy LeBeau): mero ladrão irritadinho sem charme algum que é totalmente desnecessário no filme;
  • Ciclope (Scott Summers): ué... ele conhecia o Wolverine? Porque em X1 eles nunca se viram e, mesmo cego, é impossível não saber que havia sido salvo por Wolverine;
  • Deadpool... Ryan Reynolds perfeito no papel, mas que vira uma mistura genética que literalmente estraga o filme (não só o final dele).
Não é por uma questão de purismo. É uma questão de motivo inexistente. Veja: tire Emma, Gambit, Ciclope e Deadpool do filme e coloque Dentes-de-Sabre como o vilão principal com Kayla normal como nos quadrinhos. Pronto.

Curiosidade: na cena de pós-créditos, Logan está no Japão indicando o que vinha a seguir em seus filmes solo... mas... que você vai perceber que não tem lugar na cronologia.


X-MEN: PRIMEIRA CLASSE
X-Men: First Class, 2011 = sigla PC = resenha original

Uma única e divertida cena para Wolverine em um filme que foi feito para acertar (e acertou) a franquia mutante depois do fraco X3:
Xavier e Erik procuram mutantes por todo mundo e chegam até Hugh em um bar. Os dois se apresentam e levam um go fuck yourself na lata.

Essa cena é perfeita para o personagem e marca seu primeiro encontro com Xavier e Magneto, mas também começam as confusões cronológicas:
  • Por que em X1 tanto Xavier quanto Magneto parecem não conhecer Logan se eles tiveram essa cena?
  • Xavier aparece em uma brevíssima cena final do filme de origem de Wolverine: ele salva os mutantes presos ao guiar telepaticamente Ciclope para seu helicóptero. Mas vem cá... Um telepata poderoso como Xavier não teria ajudado Wolverine como ajudou Ciclope? Ou pelo menos pressentido ele? E como assim Xavier já estava careca?
  • Também convém falar aqui da terceira aparição de Stryker. Mais um ator faz o coronel num papel desligado de Wolverine, mas ligado à questão mutante. A idade dos atores não bate: velho na primeira, novo na segunda e ainda mais velho agora?

WOLVERINE IMORTAL
The Wolverine, 2013 = sigla W2 = resenha original

Um Wolverine atormentado pelo passado e pela morte de Jean começa o segundo filme já fazendo a gente se perguntar: mas na cena pós-crédito anterior ele já não estava no Japão? O que ele está fazendo agora no Canadá? Calma que ele chega lá, mas veremos que aquela cena do bar não se encaixa.

É importante saber que o Logan das HQs é realmente/finalmente “domesticado”, por assim dizer, no Japão, pois é onde ele encontra o amor de sua vida, Mariko Yashida, e se entrega a uma vida caseira e de paz. Logan ganha camadas nesse arco histórico e deixa de ser um baixinho furioso para ser alguém com sentimentos. E esse é também o objetivo do filme e – pensando bem – de tudo que foi feito até esse ponto, mas acaba girando em torno da morte ao invés do amor.

Bom, ele nem chega direito no arquipélago e tem seu fator de cura enfraquecido pela vilã Víbora (por que mutante?). Ao enfrentar a Yakuza numa batalha bem sangrenta, começa-se a tirar o “super” do herói. Perceba que essa é a primeira vez que falo em Wolverine como um super-herói, porque ele não é tratado como tal. Ele carrega o heroísmo trágico da mitologia e seu fator de cura lhe confere o “super”, mas suas atitudes estão mais para a de um anti-herói. Portanto, todo o processo de “suavização” parece tornar seus feitos maiores: cada tiro que não cura, o eleva.

Contra Shingen Yashida, Wolverine já recuperou seu fator de cura depois de uma “autocirurgia” e o combate é um dos melhores (se não, o melhor). Também tem um monte de ninja e a luta no trem-bala, que é mais efeito do que outra coisa, mas o Samurai de Prata é decepcionante, assim como o resultado final. A vontade de mostrar Wolverine como um ronin, um samurai sem mestre, perdido num ambiente exótico e hostil acabou foi deixando todo mundo perdido.


A cena pós-crédito vem pra avisar que tentarão consertar tudo: Magneto e Xavier buscam a ajuda de Wolverine porque algo maior está por vir. Claro que fica a pergunta: como o Xavier careca está vivo se a Fênix o explodiu em X3? Sim, nós sabemos que no final Xavier enviou sua mente para um corpo moribundo, mas daí a ter a mesma cara de Patrick Stewart é demais.

Curiosidade: em um final alternativo, Yukio entrega para o Logan o clássico uniforme amarelo e marrom! Deixando um gostinho de esperança...




X-MEN: DIAS DE UM FUTURO ESQUECIDO
X-Men: Days of a Future Past, 2014 = sigla DFE

Já fiz uma boa resenha desse filme, mesmo na flor da pele. Nela eu falo sobre o arco de quadrinhos de onde o filme foi inspirado e deixo claro que Wolverine não seria necessário como protagonista na trama. Mas como deixar Hugh Jackman de fora dessa nova trilogia? Impossível... assim como a oscarizada Jennifer Lawrence – a Mística – também precisava de destaque mesmo que ela seja um enorme paradoxo (afinal, Mística aparece na primeira trilogia sem ter qualquer relação com Xavier, mas nesse filme o velho Xavier se lembra dela).

Como Wolverine é o foco desse texto, então... Ele volta no tempo – num corpo mais novo e mega bombado (desde W2) que não condiz com o corpo de X1 (vide foto abaixo) – pra ser a bússola moral de um Xavier perdido. Magneto parece não conhece-lo, mas Xavier lembra da curta e divertida cena do filme anterior. Porém, o maior problema é: se ele perdeu as garras de adamantium no Japão, como elas reapareceram no futuro? Pois é... sem explicação, assim como o retorno do Xavier careca.


Eu odeio viagem no tempo. Muito! Entendam que a partir do momento que Wolverine volta no tempo, ele abre uma nova linha temporal e isso faz com tenhamos duas realidades: uma da primeira trilogia, com os primeiros solos do Wolverine e o Primeira Classe; e outra que começa aqui e acaba no último filme do Wolverine. Então, quando o novo Xavier entra na mente de Wolverine, ele vê um vislumbre da primeira trilogia, uma outra linha do tempo, onde se encontra com seu possível futuro careca.

Bom... aos poucos, Wolverine deixa de ser personagem principal, pois o trio Xavier/Magneto/Mística é o cerne da nova trilogia. Por exemplo, não há um combate significativo sequer para Logan nesse filme. Em certo momento, Logan tem um refluxo de memória ao olhar para o jovem Stryker e se lembra do Stryker (e do adamantium) de X2... Então... espera... se esse é o Júnior, o do Primeira Classe é o pai; Júnior cresce e vira o do primeiro filme solo do Wolverine; cresce mais um pouco e vira o do X2 que tem um filho mutante. Parece que isso se resolveu. Ou não?

Na cena final de Logan no passado, Magneto cruelmente crava vergalhões em seu corpo e o lança no fundo do mar onde ele se afoga. Quem o retira da água, é Stryker que, na verdade, é a Mística. E isso quer dizer o quê? Não fica claro e não foi resolvido no filme seguinte, deixando um buraco. Em um final alternativo, é somente o Stryker que o tira da água, e faz mais sentido... mas lembre-se: esse seria um final alternativo de uma linha temporal.


Confuso? Veja a cronologia mais abaixo e tenha certeza que será ainda mais confuso.

Curiosidade: em uma cena deletada, o Wolverine do futuro beija Tempestade, acompanhando os quadrinhos da época, onde os dois estavam formando um casal.


X-MEN: APOCALIPSE
X-Men: Apocalypse, 2016 = sigla APO

Lembre-se: agora estamos em uma nova linha temporal, ou seja, os responsáveis pelo filme, podiam fazer o que queriam com o passado do Wolverine. Então, Wolverine tem uma única cena: a fuga sangrenta do Programa Arma X no Lago Alkali (bem mais parecida com o que se sabe nos quadrinhos). Ele recebe a ajuda de uma Jean Grey jovem e sai correndo pelas florestas do Canadá desmemoriado e com mullets.



O que fica claro pela cena final dele em “Dias de um Futuro Esquecido” e por essa cena é que agora Logan não foi voluntário do Programa Arma X, mas uma vítima de Stryker. Não sabemos como ele perdeu a memória, mas não foi uma bala de adamantium como no primeiro filme solo do herói. Isso significa que DFE deve ter apagado os dois filmes dele. É...

A cena pós-crédito desse filme se liga diretamente ao último de Logan: enquanto militares limpam a bagunça feita por Wolverine em sua fuga, uma empresa de genética pega uma amostra de seu sangue. O nome dessa empresa (Essex Corp) remete a um dos grandes vilões da franquia X, o Sr. Sinistro, e nos leva a crer que teremos clone... e não é que é (quase) isso mesmo?

OBS.: Sobre o filme em si, tem altos e baixos – principalmente em termos cronológicos –, mas, no geral, essa segunda trilogia é muito boa!


LOGAN (2017)

E aí chegamos ao alardeado último filme de Hugh Jackman como Wolverine, considerado “o filme que você sempre pediu do Wolverine”.

Longe disso pra mim! As críticas e fãs se apoiaram na violência explícita para dizer que era um filme do Wolverine. Não! E vou além: o filme é comum.

Sim. Estou sendo um herege. Mas venha comigo... Quantos filmes já foram feitos sobre um brutamontes que tem que lidar com uma garotinha? Quantos filmes já foram feitos que os protagonistas precisam viajar de carro pelos EUA e encontram desafios no caminho? Tem até um nome pra isso: Road movie. E isso é só o começo das críticas.

Tudo nesse filme é excessivamente misterioso, deixado de forma superficial:
  • Temos um preview de Xavier como arma mortal tanto em X2 quanto em APO, mas, afinal, o que houve com os X-Men? Só sabemos que Xavier detonou 600 pessoas em Westchester, entre eles, sua equipe. Nem um flashback?
  • O quê levou Wolverine a ficar doente? Tá... tem a história do envenenamento pelo adamantium (que até já foi trabalhado nas HQs), mas o que levou ao enfraquecimento de seu fator de cura? Porque ele só poderia ser envenenado pelo adamantium se seu fator de cura estivesse fraco. Uma frase no filme resolveria isso...
  • E a tal Essex Corp. da cena pós-crédito do APO? Pra onde foi? Por que mudou de nome para Transigen quando Essex é bem mais significativo?

Isso foi feito com a desculpa de focar na humanização de Logan (e por isso o filme não tem Wolverine no título), mas tudo dá destaque pra Laura (Daphne Keen), a X-23, a garotinha que tem sua história bem mais desenvolvida e suas cenas de combate bem mais interessantes, como se fosse uma passagem de bastão. Logan só é interessante quando está com ela. Até Xavier tem mais textura como personagem.

Um corporação sem rosto é o vilão perfeito para um filme que só quer mostrar violência sem razão. Os ciborgues Carrascos são insignificantes, nem precisam ser eles no filme (nas HQs, eles são responsáveis por uma das maiores surras que Logan já levou e marcam o início da relação do herói com a jovem Jubileu). Mas qual seria realmente o melhor vilão para Wolverine se não ele mesmo? Até existe um ciborgue (Albert) nas HQs que talvez se encaixasse melhor na história, considerando os Carrascos, mas era preciso ser um clone com uma raiva desenfreada "construída" (hã?) para duplicar a presença de Wolverine na tela e mostrar o Wolverine humano vs. o Wolverine animal.

Reduzir Wolverine à violência desenfreada é um desconhecimento claro do que foi feito no cinema até agora: a sua domesticação, sua ida da imortalidade para a mortalidade. Isso é poético, interessante, mas não é o Wolverine. Dito isso, vale ressaltar as atuações soberbas.


CRONOLOGIA
Vou tentar, destrinchar a cronologia do herói, onde já será possível encontrar as incongruências:
  • 1845: James Howlet descobre suas garras. (W1)
  • 1945: Logan é prisioneiro em Hiroshima e sobrevive à bomba atômica. (W2)
  • 1962: Logan é procurado por Xavier e Erik. (PC)
  • 1973: Mística mata Trask e é capturada. (informação dada em DFE)
  • 1975: Logan e Victor são recrutados por Stryker para a Equipe X. (W1)
  • 1979: Logan deserta do programa Arma X na África. (W1)
  • 1985: Wolverine ganha seu adamantium, mas termina sem memória. A cena final de salvamento dos mutantes por Xavier ainda é uma inconsistência cronológica. (W1)
  • 2000: Wolverine conhece Vampira e, na sequência, os X-Men.
    Fica a tal pergunta: ué... mas se eles só se conheceram aqui, o que aconteceu em 1962 e 1985 foi esquecido? E Mística? Como se soltou? Como ficou muda? Como não conhece Xavier? (X1)
  • 2001: Wolverine enfrenta Stryker no Lago Alkali. (X2)
  • 2003: O confronto final contra Fênix. (X3)
  • 2013: Logan vai ao Japão pela primeira vez, depois de Hiroshima, provando que a cena no bar não se encaixa. (W2)
  • 2015: No aeroporto, Logan é alertado por Xavier e Magneto sobre os Sentinelas de Trask, mas ninguém sabe como Xavier está vivo em seu corpo original depois do fim em X3. (W2)
  • 2025: Na China, os X-Men enfrentam os novos Sentinelas, enquanto Kitty manda a mente de Logan para 1973. (DFE)

No momento que temos a viagem no tempo, começa uma nova linha temporal, uma segunda cronologia...
  • 1973: Wolverine do futuro entra no Logan do passado para impedir Mística de matar Trask. (DFE)
  • 1974: Wolverine ganha seu adamantium no Programa Arma X (especulação)
  • 1983: Wolverine é libertado do programa por uma jovem Jean e o sangue de Logan é coletado pela Essex Corp. (APO)
  • 2004: Nasce o último mutante. (informação dada em Logan)
  • 2025: Quando retorna, Wolverine, encontra uma mansão futurista com todos os seus amigos vivos, inclusive Jean e Ciclope. (DFE)
  • 2029: Os últimos dias de Logan. (Logan)

É muita confusão! Veja se esse vídeo ajuda:



CONCLUSÃO
Depois dessa maratona cinematográfica e desse textão, posso dizer o seguinte: o verdadeiro Wolverine, o das HQs, está no primeiro filme dos X-Men, construído da maneira correta pelo ator e pelo diretor. Ali temos a essência dele. Porém, em uma entrevista, Hugh Jackman deixou claro que não conhecia direito o personagem ao fazer a audição para ser Wolverine e, por isso, fez o filme se divertindo. Seu amor pelo personagem cresceu com os filmes, mas ele afirma que nunca havia conseguido fazer o que queria nos filmes dos X-Men.

No primeiro filme solo, Hugh começou a tomar conta do personagem. Cresceu fisicamente e pediu um filme onde pudesse trabalhar não só a origem geral de Wolverine, mas também sua personalidade atormentada e furiosa. E olha... quase conseguiu. Se não fossem os péssimos coadjuvantes...

Interessante é que quando resenhei o primeiro filme solo do Wolverine eu disse “não é um filme de super-herói”... e, mesmo que ele esteja mais para um anti-herói, foi o mais super-herói dos três! E mais louco ainda é que depois da resenha do segundo filme, eu pedi SANGUE!

Então, Filipe, você está sendo contraditório! É... em parte. Por isso, a importância dessa maratona e de ter parado de fazer resenhas logo depois de ver os filmes, ainda embalado pela emoção. Revendo Wolverine Imortal, por exemplo, achei melhor do que escrevi na resenha. Gostei um pouco mais de Logan ao revê-lo (vi na versão preto e branca, noir), mas ainda passou longe de ser o filme que pedi.

Com isso, digo que o filme do Logan que todo mundo sempre pediu é o que teria:
  • A atitude do Wolverine em X1.
  • O tanque de adamantium de W1 com a fuga de APO (sem a Jean).
  • O uniforme clássico (que só apareceu numa mala, em uma cena alternativa de W2)
  • Vilões icônicos como o Samurai de Prata (não uma armadura com um velho dentro) ou o Sr. Sinistro (não um doutorzinho qualquer) ou talvez um Ômega Vermelho também caísse bem e se tornasse uma explicação bem mais plausível para o enfraquecimento do fator de cura de Logan.
  • O retorno do Liev Schrieber como o Dentes-de-Sabre.
  • Combates como os contra Shingen Yashida, Dentes-de-Sabre (Liev) e Lady Letal, ou até mesmo os contra os ninjas e a Yakuza (veja quanto vídeo de luta boa que postei aqui).


Queremos um herói cínico. Sim com amor pra dar, mas não chorão. Sim atormentado e complexo, mas que leva tudo nas costas sem reclamar. Com violência sim, mas sem a necessidade de ser explícita, até porque Wolverine foi muito violento desde sua primeira aparição. Essa necessidade de não fazer um filme de super-herói e sim um filme mais “real” (vide Batman de Nolan) nem sempre é bom. Achei alguém que pensa como eu no Papo de Homem.

Agora nos resta aguardar o próximo filme dos X-Men que não deverá ter Hugh Jackman (veja a entrevista dele para o Danilo Gentilli... ele é foda). No entanto, é quase certo que a franquia X precisará trazer um novo ator pra fazer o Wolverine. Quem? Como? Em que linha temporal? Veremos.