segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Arte ao Lado: Rogério Ruiz

As artes clássicas nortearam o entendimento ocidental de beleza, mas Rogério Ruiz buscava nas emoções dos artistas a contextualização que levava à reflexão: “Uma obra de arte é tudo que causa reação no espectador. Para o bem ou para o mal.” Talvez por essa razão tenha sido tocado pelo figurativismo abstratizante, onde os artistas precisam ter o talento da realização da obra e a capacidade de adequá-las à linguagem contemporânea sem perder sua essência.

Equilibristas VI. Acrílica sobre tela de Odilla Mestriner (1973). Coleção particular.

A Santa.
Nanquim e colagem sobre cartão de
Odilla Mestriner (1966). Coleção particular.
A cirurgia plástica deu a Rogério um espaço para desenvolver seu senso estético e a possibilidade de desenvolver uma coleção de arte que apaziguasse (e - por que não? - instigasse) seu espírito. Começou a comprar obras de artistas que, além de agradá-lo, “conversassem entre si”. Assim, Odilla Mestriner, Lívio Abramo, Djanira, Darel Olivença, Babinski, Wesley Duke Lee, entre outros, o recepcionam quando chega em casa. Como colecionador, Rogério entende a necessidade de preservação e difusão da arte. Com essa ideia, recentemente, escreveu o livro Odilla Mestriner - O olhar do colecionador (São Paulo: Giostri, 2014), onde reuniu e organizou as informações que conseguiu rastrear de todas as obras da artista.

Contar como conheci Rogério seria preciso censura. Ou uma novela mexicana que passasse depois da meia-noite. Mas sempre ficou claro que beleza é algo que ele respira e transpira: a estética é seu suor e sua paixão.

sexta-feira, 29 de julho de 2016

Eu e o futebol

Comecei no futebol como goleiro, acreditem. Acho que era uma vontade inconsciente de ser escolhido a qualquer custo, afinal, goleiros sempre eram poucos e fundamentais. Mas você já tomou uma bolada na cara? Ou pior: um frango e sofreu toda a responsabilidade de um jogo perdido? Pois é... sorte que eu tive um treinador que enxergou alguma coisa nos meus pés e me levou pra zaga. Da defesa, virei rapidamente ala esquerda*.

Não lembro desse Carnaval em 1980,
mas o Flamengo já vestia o manto.
Talvez a maior quantidade de memórias que eu tenha antes dos 10 anos são referentes ao futebol. Não digo memória de fotografia, aquelas que as histórias são contadas tantas vezes pelos familiares em fotos que você acaba dizendo que lembra. Não. Apesar de não lembrar de quando comecei a jogar futebol na AABB-Tijuca (sou da época que futsal era futebol de salão com lateral batido com as mãos e goleiro que não podia atravessar a bola do meio de campo), me lembro de muito mais. Das aulas às terças e quintas (terça era treino e quinta era jogo), da forma de escolher os companheiros de equipe (sentados em fila por posição), da quadra (do ginásio e do clube todo, na verdade) e até de nomes de colegas (Guilherme*, Rodrigo, Rafael, Bernardo, Danilo, João Gabriel, Cristiano...). Mas do que lembro perfeitamente é do momento-chave que mudaria minha relação com o futebol e - bem possivelmente - minha vida toda.

O grupo era divertido.

Era campeonato do fim de ano de 1986 e meu time chegara na final. Nós havíamos batido o time mais assustador (do Guilherme*) e a confiança era enorme para a final. Mas... nosso goleiro faltou! O desespero começou a bater quando só tinha o pior goleiro do clube pra substituí-lo e não podíamos recusar. O jogo seria duro. Talvez fosse até pra pênaltis ou alguém ganharia por 1 a 0 na dificuldade... mas nós perdemos por 2 frangos a zero.

O safado fazendo graça antes já devia ser um indício da cagada que faria durante...

Minha raiva era enorme. Me lembro até de reclamar com o goleiro no meio do jogo. Não sabia lidar ainda com aquelas sensações e na hora de receber a medalha de prata estava de cara feia. Saí zangado em todas as fotos e não queria falar com ninguém. Chegou o tal momento-chave...

Não achei a foto da medalha... então, vai essa de perdedores embaixo com caras desapontadas.

Naquele mesmo dia em casa, numa tentativa de educar, meus pais disseram, em resumo: "ou você aprende a competir, ou você sai do futebol" (rolou também alguma negociação com ver televisão, mas minha memória também já não é tão boa). Veja bem: eu fazia judô e pedi pra sair porque não gosto de brigar e ter que disputar na briga; eu era federado na natação e pedi pra sair porque não gostava de competir; ou seja, eu não queria competir! O que eu não gostava (e ainda não gosto) era de ter dado o melhor de mim e perder por causa de outros. Claro que, na raiva e na teimosia (que me é característica), eu disse: "então, eu paro de jogar futebol".

Eu chamo de momento-chave porque não sei onde estaria hoje se tivesse continuado (penso nisso direto!). Ainda fiquei no clube mais um ano sem vontade até parar. Levei seis anos pra voltar a jogar. SEIS ANOS! Só me permitia jogar no recreio na escola com bola feita de copo plástico e guardanapo. Passei a jogar handebol (que ainda acho muito maneiro). Nem futebol na TV eu assistia. Porém, em 1993, um reinício diferente...

Mesmo sabendo que o Flamengo tinha sido o campeão brasileiro de 1992, eu tinha perdido aquele ímpeto. Vi os gols, me lembro da comoção familiar... mas nada em mim. No ano seguinte, minha turma da escola resolveu fazer um Bolão do Campeonato Brasileiro. Detesto jogos de azar, mas eu queria participar de algum jeito. Como sempre fui muito inteligente e organizado, resolvi ser o responsável por colher as apostas e redistribuir a grana. Com isso, todo domingo eu esperava o Fantástico pra ver todos os gols da rodada. Por incrível que pareça, isso reativou a velha chama. Em 1995, fui pela primeira vez ao Maracanã (estreia do Romário no Flamengo em um empate sem gols contra o Fluminense).

Foi meu saudoso amigo Leandro quem me levou de volta às quadras. Jogávamos à noite em inúmeras quadras dos clubes portugueses tijucanos (Vila da Feira, Trás os Montes...). Meu futebol estava enferrujado... mas isso não me impediu de jogar toda terça de 22h a meia-noite no Clube dos Fumageiros. E foi lá, entre amigos, que me redescobri no futebol.

Vencer, empatar, perder. Não importava. Até porque... faça as contas: partidas de 10 minutos num período de duas horas, contando intervalos dá uma média de 8 partidas por dia! Ganhar três era incrível, quatro era campeão mundial! Imagina quando era partida de 2 gols com "rei da mesa" e a partida durava 2 minutos? Então, em uma simples noite, o que importava era a diversão com os amigos, as zoeiras, o papo pós-pelada que enaltecia os erros e não as vitórias. Assistir futebol fosse na TV ou no estádio era vício. Gritava na janela, discutia futebol e tudo.

Pouco tempo depois, nosso grupo passou das quadras do futebol de salão para o futebol society de grama sintética. Todo domingo, de meio-dia às 13h, num sol escaldante de Vila Isabel, o grupo estava lá. Com embates históricos entre os goleiros Thiago e Percê, a dupla de zaga Claudio e Jorge, a histeria divertida do Afonso e as habilidades de Davi e Neneco. Podia ser Dia das Mães... dos Pais... dos Namorados... até aniversário de filho tinha gente lá pra jogar. Mais um monte de memória, um monte de laços.

O aniversário dos amigos também era comemorado na churrasqueira da pelada.

E foi nesse ponto que comecei a despontar mais na velocidade do que na habilidade. Acredito que foi a forma que meu corpo/cérebro encontrou para suprir os anos parados. Leandro dizia que gostava de jogar comigo por causa disso: ele, zagueiro, jogava no ponto-futuro e gritava "corre que dá". E dava. Eu acreditava nele. Ele me levou pra vários outros lugares pra jogar. Em um campo no Jacarezinho (segunda de 22h a meia-noite), eu fiquei conhecido como "velocista" já no primeiro dia.

Só que aos 18 anos, outro momento-chave. Em Teresópolis (que também guarda inúmeras histórias futebolísticas como, por exemplo, eu enfrentando o gigante Bernardo), o campo de grama natural era (e ainda é) de um lado parede e do outro cerca de arame. Num dos meus momentos de velocidade, vi que a bola estava quase saindo na lateral gradeada, mas eu tinha certeza que conseguiria impedir. Pra isso, eu precisaria usar a grade como freio... e foi o que fiz: consegui tirar a bola da lateral me jogando na grade (como uma lagartixa, diz meu tio). Só que tinha um arame solto na altura do meu joelho... que ficou enganchado e abriu um buraco nele que saía até a gordura!

Toda essa história virou um clássico na minha família, com minha tia tentando "colar" o ferimento com esparadrapo, eu apavorado de medo, a anestesia local e meu pai se jogando em cima de mim no hospital... Esse é outro momento-chave porque passei a rever minha velocidade no futebol. Eu precisava voltar àquele velho futebol de salão. Então, pra recuperar o tempo perdido passei a jogar todo o futebol que via pela frente. Batista, Clube da Light, Asbac, Alto da Boa Vista... Não importava onde ou o horário. Cheguei a jogar futebol 4 vezes na semana! Ainda me destacava pela velocidade, mas, aos poucos, as habilidades foram reaparecendo.

Até aqui, na maioria das vezes jogava ou com o mesmo grupo ou com alguém do grupo que me chamava. Em 2000, o namorado de uma prima me chamou pra fazer parte de um novo grupo em um galpão de São Cristóvão aos sábados. Eu adorei a galera, mas era tanta regra pra poder jogar e fazer parte do grupo que não vingou. Só que em 2001, esse mesmo namorado da prima resolveu dar um tempo da pelada (que saíra de São Cristóvão para o Horto) e abriu a vaga pra mim. Foram ONZE ANOS de pelada.

Saudosos meiões laranjas com chuteiras douradas que se tornavam um borrão veloz!

Eu nem sei como começar a escrever desse período, mas posso te garantir que foram onze anos absolutamente maravilhosos. Não só de futebol (onde atingi meu auge e cheguei a fazer um teste para virar profissional), mas de pessoas, de alegrias, de amizades, de aprendizado, de vida. Não havia o que me tirasse de lá num sábado de 16h às 18h (que na maioria das vezes se estendia até às 20h só no papo). Chuva? Pelada aquática. Carnaval? Pelada fantasiado. Páscoa? Só no chocolate. Casamento? Levava a roupa e ia de lá direto. Teve até pelada contra mulheres (com alguns lances desconcertantes)! Virei tesoureiro da pelada (tem gente que me chamava de presidente), botava dinheiro pra gente jogar, as bolas ficavam no meu porta-malas e sempre fazia churrascos de confraternização e campeonatos. Tinha até blog de zoeira! Ninguém entendia minha fissura e eu mesmo só fui entender na análise, São tantas memórias que a Pelada dos Macacos está pra sempre marcada na minha história.

Um dos campeonatos, onde fiquei novamente em segundo lugar e ainda fiquei conhecido como Avenida Filipe Chagas! Tudo por causa de uma falta absurda que não vem ao caso...
Um dos grupos que passaram nesses onze anos. Só alto nível... de pessoa, porque nível técnico era questionável!
O pós-pelada e os churrascos eram melhores do que a pelada em si!
Despedida do Chicão, 67 anos dedicados ao esporte bretão de várzea! E jogando descalço! Nada mais que um mito! Inspiração para todos!

O futebol mudou pra mim. O esporte coletivo era diversão e não competição. Assistir na TV era um hobby delicioso, não mais um desespero. Discutir futebol? Pra quê? Só discuto com times que já possuem título mundial e nunca foram rebaixados ou seleções que sejam pentacampeãs... ou seja, praticamente ZERO de discussão. Portanto, levei mais de quinze anos pra amadurecer e realmente ser educado pelo próprio esporte.

Volto à Teresópolis pra começar a finalizar essa história. Na Páscoa de 2011, uma disputa de bola em uma peladinha tranquila arrebentou meu joelho esquerdo: fratura de menisco e esgarçamento do ligamento cruzado anterior. Mas nada de cirurgia pra mim. Já havia tratado e me recuperado milagrosamente com GDS, então, ia manter isso. Fiz também reforço muscular, mas a idade é implacável: antes uma torção num dia não me impedia de jogar no outro; dessa vez levei 7 meses pra conseguir voltar aos gramados. Voltei de leve, sem meu ímpeto todo, com medo de machucar novamente. Mas é só a gente se sentir bem que o gás vem de novo e, depois de 1 mês, a lesão piorou... o esgarçamento virou rompimento. Em abril de 2012, tomei uma das decisões mais difíceis de toda a minha vida: parar de jogar (minha analista teve trabalho na época).

Escrevo essa postagem desde às 5h30 da manhã porque acordei de um sonho com futebol. Eu era o lateral esquerdo da Seleção. Como sempre gostei de jogar avançado, percebi que a seleção adversária (alguma sulamericana) ia se aproveitar do espaço que deixei para contratacar (a tal Avenida Filipe Chagas). Corri muito! O atacante adversário deu um carrinho precipitado pra chegar na bola e eu dei outro, bem depois dele já estar no chão. Eu tirei a bola e nossos carrinhos se encontraram... o juiz deu pênalti e cartão amarelo pra mim. Duas frases-clichê do futebol vieram a seguir: "pênalti roubado não entra" e "quem não faz leva". O atacante bateu na mão do goleiro que - já ciente que eu era a via de escape do time - jogou na frente pra mim. Só na minha velocidade deixei meu marcador pra trás, fui na direção do zagueiro apontando para o meio da área, pedindo um atacante para passar a bola... mas era um truque. Eu precisava me vingar do juiz. Com um drible de corpo, tirei o zagueiro e chutei sem ângulo debaixo das pernas do goleiro.

Não consigo me lembrar direito da minha comemoração porque acordei num salto e não consegui mais dormir. Estou aqui registrando tudo porque meu corpo ainda esquenta quando me vejo nos gramados. O tempo passa mais rápido só de pensar... Futebol nunca foi uma simples paixão. Foi um daqueles amores inesquecíveis e insubstituíveis que mexem com a gente pra sempre.

* O asterisco em "ala esquerda" e no Guilherme lá no início é porque me lembro que esse garoto era o melhor ala esquerdo da escolinha. Quando jogávamos juntos, eu não me incomodava de jogar na defesa porque ele era melhor. E o treinador botava a gente junto por causa disso: nós éramos bons. Até que comecei a ficar mais ala do que defesa... nunca mais jogamos juntos... até porque aconteceu o tal momento-chave.

sexta-feira, 1 de julho de 2016

Arte ao Lado: Jorge Lucio

A poesia foi utilizada na história (até mesmo em períodos pré-escrita) como forma de transmitir informação e garantir sua memorização. No entanto, ela é mais: é também considerada a arte do texto, aquela que utiliza a linguagem escrita para exprimir aquilo que está dentro de nós.

Ao entender que a tarefa crucial da arte é resistir e contrapor-se ao estabelecido pelas normas do poder, em nome da convivência, Jorge Lucio de Campos usa sua sensibilidade para escrever a partir das dicções de autores considerados renovadores da linguagem poética em relação ao que considera serem legítimas contribuições. Cria, então, ligações entre seus poemas e os de outros poetas em busca de uma poesia ao mesmo tempo contemporânea e extemporânea, a mais estranha ao gosto de sua época.
“Me esforço para criar ligações entre o que digo, ou melhor, o que dizem os meus poemas e o que é dito (ou penso que é dito) pelas imagens de variada natureza que são assinadas por outros autores (pintores, fotógrafos, cineastas, etc). [...] Gosto de reescrever, desconstruir, reinventar a escrita alheia, com o intuito de fazê-la acontecer de outra maneira.”
Em termos artísticos gerais, Jorge valoriza, sobretudo, a síntese formal, a riqueza expressiva e a amplitude semiótica e, assim, tenta fazer o máximo possível de sentido com o mínimo possível de palavras. Acredita que, se não se dispusesse a escrever poesia, ela própria o faria de uma maneira caótica e amorfa e, então, se perderia no vácuo da insignificância cotidiana: “sinto-a colocada dentro de mim, pulsante e mais forte do que a minha própria vontade.”

Filósofo de formação, Jorge se aproxima de Nietzsche quando diz que “faz poesia para não enlouquecer com a instrumentalidade racional e a boçalidade administrada que minam tenebrosamente os alicerces simbólicos da atualidade”. Crê na importância de registrar e preservar sua arte, independente de seu valor para a maioria das pessoas.

Jorge foi meu professor na graduação em design, na ESDI. Logo no primeiro ano ele veio ministrar a disciplina “Introdução à Análise da Informação” e ninguém tinha muita maturidade para entendê-lo (talvez por isso a turma adorava puxar temas como futebol e cinema trash para desvirtuar a aula). Mesmo assim, seu jeito paternal fazia com que a sala nunca estivesse vazia. Onze anos depois nos reencontramos quando fazia mestrado: eu ainda aluno e ele sempre professor. Num desespero acadêmico, precisei que ele se tornasse meu orientador, mesmo que isso significasse mudar totalmente a direção da minha dissertação (de economia para filosofia). Ele encarou o desafio comigo de uma maneira tão carinhosa e acolhedora que fui capaz de entrar no árido mundo da filosofia com a “calma dos ignorantes”, aquela que te torna humilde porém confiante. As consequências positivas são tantas que me faltam palavras para agradecer. E, mesmo que as tivesse, não seriam a poesia que só ele é capaz de fazer.

domingo, 26 de junho de 2016

Com ciência

Nos últimos meses, a exposição ComCiência do CCBB tem chamado muita atenção pela web com fotos das criaturas que Patricia Piccinini produziu com maestria. O resultado é incrível e o efeito visual é realmente impressionante. Suas estátuas parecem ter congelado um momento em um tempo mágico. Mas tem mais ali.

O tão esperado.

Enquanto os visitantes só se preocupam com selfies e fotos que já estão em toda internet, poucos lêem os textos que instigam a reflexão e - literalmente - fazem criar alguma consciência do que estamos vendo.

Esfinge
Instalação da Flor Bota.

Manipulação genética é a base da discussão, no entanto, Patricia também questiona a todos quando perdemos nossa capacidade de aceitar o diferente e o que é realmente belo através de obras que transitam do lúdico infantil ao erótico implícito. Quando crianças, somos mais aptos a gostar dos monstros, sejam eles imaginários ou não. Uma mãe aceita seu filho como ele é.

De bruços

A artista ainda avança essa discussão quando mescla a manipulação genética com tecnologia. Apesar de estarmos acostumados com ficção científica de robôs e inteligências artificiais, as criaturas e imagens tecnológicas acabam ganhando uma expressão biológica por estarem inseridos nessa exposição.

Os amantes.

Instigante, nojento, fofo, curioso... arte faz isso.

quarta-feira, 1 de junho de 2016

Arte ao Lado: Clementino Jr.

O Cinema é a Sétima Arte desde 1912, quando o teórico italiano Ricciotto Canudo escreveu o Manifesto das Sete Artes e estabeleceu uma lista de seis artes que estavam combinadas em qualquer produção cinematográfica. Mas, desde o fim do século XIX, o Cinema nos encanta. No caso de Clementino Jr., esse encantamento é de berço, uma vez que aprendeu a escrever e desenhar nas folhas de roteiros de novelas que seus pais trabalharam (ele é filho dos incríveis Clementino Kelé e Chica Xavier).

Sua primeira paixão foram os quadrinhos (a Nona Arte), já que sempre gostou de criar histórias, mas o Cinema e a TV rodeavam sua vida. Mesmo formado em Programação Visual na Escola de Belas Artes da UFRJ, não conseguiu se distanciar do audiovisual. Inspirado no “Cinema de Cavação”, começou a fazer seus filmes. Como ele mesmo diz:
“A realização do sonho de fazer o melhor filme a cada obra, o melhor filme possível dentro de cada tema, é o que me move”.

Clementino encontrou no universo educacional o espaço do ensino-aprendizagem que não só o leva a uma atualização constante como lhe oferece o retorno financeiro para se equipar. Com ajuda e permuta de grandes profissionais aos quais se aliou nos últimos anos dá vazão às suas ideias e histórias mais urgentes. Atualmente comanda o Cineclube Atlântico Negro, cujo programa foca o cinema da diáspora africana e foi presidente regional da Associação Brasileira de Documentaristas e Curta-metragistas e vice-presidente da ABD Nacional.


Conheci Clementino no Instituto de Tecnologia ORT, ambos professores do Curso Técnico em Comunicação Social. Em sua resposta à pergunta “o que você faz”, ele escreveu que “faz E ajuda a fazer filmes”. É essa generosidade que se percebe em sua fala doce e no brilho dos olhos quando o cinema está em discussão.