segunda-feira, 30 de outubro de 2017

Pra onde foi a Arte grega?

Em 2014, fiz o curso "Introdução à Arte Moderna: do Néoclássico ao Impressionismo", na PUC-RJ. Como conclusão, escrevi um trabalho sobre a arte grega chamado Os anos perdidos da Arte grega: A transformação dos cânones ocidentais clássicos em uma produção anticlássica, onde investigo os rumos que tomaram os preceitos considerados clássicos ao longo dos séculos.



É longo, mas vale a pena pensar nesse tipo de transformação – da referência ao ostracismo – que o tempo histórico nos oferece.

sábado, 14 de outubro de 2017

Arte ao Lado: Erick Grigorovski

Com formação em design pela ESDI, é claro que Erick Grigorovski iria sistematizar sua produção artística… quer dizer… seus "filminhos" de animação. Independente do projeto, seja profissional ou pessoal, Erick mantém um processo de criação e produção bem semelhante: do briefing à pesquisa, do esboço no papel à finalização digital. Porém, como ele mesmo diz:
“Nos meus projetos pessoais, a diferença é que o cliente sou eu. E como nem sempre sei exatamente o que quero, de modo geral, o briefing vem a partir de conversas com amigos”.
Seus "filminhos" de animação são sem orçamento ou ambições, mas com muita vontade de contar histórias ao lado de amigos queridos. Então, somente após enxergar o projeto na sua frente com roteiro, artes conceituais, storyboard e cronograma, é que decide se tem motivação suficiente para colocar todo seu esforço nos meses seguintes e evitar cair na armadilha frustrante do engavetamento de um projeto pessoal. Por exemplo, Terra Incognita e Uruca levaram 10 meses, enquanto Entre Nós levou 18 meses e mais 10 meses ilustrando e escrevendo o blog da protagonista.


Em nenhum momento, Erick fala sobre fazer arte. Parece enxergar o que faz quase como um trabalho. Mas, quando fala que “faço porque quero contar aquela história, daquele jeito”, mostra sua motivação interior. Mesmo que um trabalho profissional de design, ilustração ou videografismo também o divirtam, é nesses "filminhos" de animação que realiza seu ato de arte. Não só no contar uma história, mas na dedicação à ilustração e no envolvimento pessoal.


Erick é de casa. Tem até marcador aqui no blog. Estudamos juntos na ESDI e passamos poucas e boas nessa vida. E é por isso que não entendo o diminutivo que ele usa para suas animações. Porra, cabeça, tu ganhou prêmio com teus “filminhos”! Vai estrear HOJE o novo Uruca no Rio Mountain Festival E no Inkafest, em Lima, no Peru! O que você faz é incrível! É arte! Você dá movimento ao desenho, vida à sua imaginação! Força na motoca!

sábado, 30 de setembro de 2017

Os olímpios

Segunda metade do século 19.

Alguns pintores resolveram parar de idealizar o cotidiano com alegorias e metáforas para fazer obras que mostrassem a realidade e representassem a vida como ela é (que deu no movimento artístico denominado Realismo). Em 1863, Édouard Manet pintou Olímpia (óleo sobre tela, 1,3 x 1,9 m, Museu d'Orsay), inspirado pela Vênus de Urbino de Ticiano e pel'A maja desnuda de Goya. Dois anos depois, Olímpia foi selecionada para ser exibida no Salão de Artes de Paris.


IMORAL! VULGAR!

Esses foram os xingamentos mais leves que o precursor do Impressionismo recebeu dos críticos conservadores da época.

O nu artístico sempre existiu, porém, de forma acadêmica (como estudos do corpo humano com modelos vivos), alegórica (em cenas mitológicas) ou exótica (mostrando povos distantes e considerados primitivos). Quando Manet representou uma prostituta de luxo fora desses três contextos, ele deslocou o nu do imaginário profano para a realidade pudica (e hipócrita). BLASFÊMIA!

E ele fez mais: ao colocar a mulher olhando diretamente o espectador com a mão tampando seu sexo, ele deu poder à ela. É ela quem manda no sexo, é ela que dá acesso e controla sua própria sexualidade. QUE ABSURDO (para uma sociedade machista e patriarcal)! UM ESCÂNDALO!

O escritor francês Émile Zola saiu em defesa do pintor:
Quando outros artistas corrigem a natureza pintando Vênus, eles mentem. Manet perguntou a si mesmo porque deveria mentir. Por que não dizer a verdade?
Manet ficou arrasado com as reações do público. Seu amigo, o poeta francês Charles Baudelaire, ficou preocupado:
Manet tem um grande talento, um talento que resistirá. Mas ele é frágil. Pareceu desolado e atordoado pelo choque. O que me impressiona é a alegria de todos os idiotas que acreditam que ele foi vencido.
O pintor chegou a se isolar, mas (ainda bem) foi tirado do ostracismo pelos impressionistas capitaneados por Bethe Morisot, Camille Pissarro e Claude Monet (que foi responsável por comandar uma campanha em 1890 para que a tela fosse comprada e doada para coleções públicas). Ele deveria ter conversado mais com Gustave Courbet, pintor da obra A origem do mundo, censurada pelo Google e pelo Facebook...

Corta, então, para o início do século 21.

Em julho de 2017, o artista Maikon K (um dos nomes mais respeitados e consagrados da performance no Brasil contemporâneo), realizou em um projeto privado a apresentação da DNA de DAN, na qual fica nu com o corpo coberto de um líquido que se resseca aos poucos, até, ao fim, se quebrar, revelando a pele do artista. Foi preso de forma truculenta por ATENTADO AO PUDOR e OBSCENIDADE, mas fez questão de declarar:
Podem me colocar diante de um juiz. Eu sei que eu não fiz nada de errado nem nada pelo qual eu deva me envergonhar. Eu estava trabalhando, e minha função é essa: perturbar a paisagem controlada dos sentidos. O meu corpo afronta os seus canais entupidos, o seu ódio contido, mesmo estando parado. Porque vocês nunca vão me controlar e eu pagarei o preço, eu sei, eu sempre paguei. Porque parado ali, nu, imóvel no meio da praça, suas vozes me atravessam, suas piadas estúpidas tentam me derrubar, sua indiferença me faz rir, seu embaraço me dá dó, mas eu continuo em pé.
Em setembro de 2017, o artista Wagner Schwartz realizou em um museu de arte a apresentação Le Bête, na qual manipula uma réplica de plástico de uma das esculturas da série "O Bicho", de Lygia Clark, e se coloca nu, vulnerável e entregue à performance artística, convidando o público a fazer o mesmo com ele. O evento tinha avisos de classificação etária. Uma mãe (coreógrafa e também artista performática) levou a filha para interagir com o artista. Foi filmada e... PEDÓFILO! CRIMINOSO! DESTRUIDOR DA FAMÍLIA TRADICIONAL BRASILEIRA!

Esses são apenas dois acontecimentos entre a dezena de censuras que a Arte vem sofrendo no atual momento. Vivemos um período de transição e polarização que a Arte insiste em escancarar. Disse Zola:
Basta ser diferente dos outros, pensar com a própria cabeça, para se tornar um monstro. Você é acusado de ignorar a sua arte, fugir do senso comum, precisamente porque a ciência de seus olhos, o impulso de seu temperamento, levam-no a efeitos especiais. É só não seguir o córrego largo da mediocridade que os tolos apedrejam-no, tratando-o como um louco.
A nudez é um dos tabus mais hipócritas que temos hoje em dia. Em nossa sociedade, pode-se usar roupa íntima na praia, mas não se pode amamentar em público. Pode-se colocar crianças maquiadas dançando eroticamente um funk, mas não se pode expor a criança à manifestações artísticas mais contundentes. Pode-se dar uma arma de brinquedo, mas jamais ir a uma praia de nudismo. Mande nudes, mas não tome banho com seu filho.

A nudez feminina vem sendo "trabalhada" há séculos, enquanto a nudez masculina se resume à estátuas gregas com folhas de parreira (castração religiosa) ou membros pequenos que não chamam atenção. Maikon K e Walter Schwartz se colocam no lugar da Olímpia e confrontam os padrões tanto da representação masculina quanto da Arte em si.

Esse é o papel da Arte (dita contemporânea) desde que as vanguardas do século 20 começaram a questionar o que vinham sendo feito em busca de maior expressividade ao invés de restrições estéticas. Técnicas e suportes foram sendo experimentados e substituídos. O corpo se tornou ferramenta e meio. Gostar ou não gostar não é mérito da Arte: isso é um problema do espectador.

Toda essa discussão só incentiva ainda mais a produção artística. Eu espero muita gente pelada por aí.

terça-feira, 29 de agosto de 2017

Ao meu lado

A quarta edição da revista Arte ao Lado é especial... porque é minha!



Tinha que lançar ainda em agosto, mês dos Leoninos que adoram aparecer... como eu (?).

sexta-feira, 14 de julho de 2017

Arte ao Lado: Raphael Zanow

Como captar o que a mente transcende? No caso de Raphael Zanow, escrevendo poesia. Mas como manter suas ideias em equilíbrio? Pra ele, jogando capoeira.

Seu movimento interno de expressão se deu na forma dessas duas artes. Uma desenvolve a outra e o permite praticar aspectos do corpo, da mente e do espírito para que suas palavras e seus gestos falem de outra forma.

A capoeira sempre foi mais do que uma arte para Raphael. Desde a adolescência, a filosofia dessa luta / jogo / dança afro-brasileira invadiu sua casa (literalmente) e o mostrou exemplos de união, de harmonia, de força e de família. Ele diz que a capoeira foi uma força que potencializou suas reflexões de como ser uma pessoa melhor. Hoje sua casa já se tornou um quilombo onde ele não só treina como também ministra aulas.

Com a entrada da Psicologia em sua vida, Raphael conseguiu refinar os processos externos e internos para escrever sobre tudo que vem à mente. Como, por exemplo:
Sou normal,
No mundo dos anormais.
Onde todos estão nesse mundo,
E ao mesmo tempo não estão,
Ou não querem estar.
Um mundo de criação,
Criado para viver.
Para o bem viver eu não sei?
É pra ser vencido!
É uma luta contra a criação.
Sua própria criação.
Você contra você.
Todos contra todos e todos juntos contra tudo e todos.
Mundo louco!
Mundo normalíssimo.
Cada situação diferente da outra,
Parecida,
Mas nunca igual.
Criação gerando criação.
De perto…
Olhos que você vê, porém, só enxerga com os seus.
Olhos que dão a visão do normal!
O seu normal.
O normal do próximo, já não é tão normal.
Mas é um normal na invisibilidade de outro normal.
Que ao mesmo tempo é vivido!
Com o desejo de ser único por um só.
Uma mistura de normalidades que englobam outras realidades.
Indiretamente tudo é respeitado para poder ser vivido normalmente.
O verdadeiro significado do nosso real?
Não sei, mas é normal eu não saber.
Pois convivemos bem nossa normalidade.
Esqueça as diferenças, pois tudo é normal.
Caso para você algo não seja normal ou tão normal…
Imagine que você que não é normal.
Assim será normalmente melhor.
Viva normalmente,
Mas não seja normal!
Em sua página do Facebook, Reflexões Poéticas da Existência, Raphael posta mais de seus textos junto com algumas leituras em vídeo.


Eu e Rapha nos conhecemos na academia, mas não foi malhando. Foi dançando! Isso mesmo: nós fazíamos aulas de street dance, step e lambaeróbica! Fazíamos não... dominávamos, né, Rapha? Criamos um vínculo fraternal forte: eu, o irmão mais velho com um pouco mais de sabedoria porém bem menos calejado; Raphael, o irmão mais novo impetuoso que abraçava a vida com intensidade.

A distância nunca desfez esse vínculo que a Arte veio agora revelar. Axé!

segunda-feira, 3 de julho de 2017

Ao Lado da Escultura

Demorou bem mais do que o previsto, mas saiu a terceira edição da revista Arte ao Lado! O assunto é escultura com Katia Politzer, Mari Leal e Alcemar Maia, ou seja, a escultura de uma forma não tão convencional assim! Leia e surpreenda-se!

domingo, 25 de junho de 2017

Maravilhosa!


É muito fácil elogiar o filme da Mulher-Maravilha (Wonder Woman, 2017) porque ele é um filme da DC e está sendo comparado aos filmes recentes da editora ligados ao Superman. O filme merece muitos, mas muitos elogios mesmo. Porém, vamos com calma.

Vamos retornar primeiro à seleção da atriz. Não... ela não foi a escolha perfeita ou preferida. Zilhões de atrizes melhores estavam na frente dela. O que dizer da eterna Xena (Lucy Lawless) que foi sempre a Mulher-Maravilha (e - cá pra nós - merecia uma ponta nesse ou em qualquer filme com amazonas)? Uma miss? Modelo?

Aí ela apareceu no filme Batman vs. Superman... Leia aqui o que escrevi anteriormente sobre essa bomba, mas vou repetir: Gal Gadot aparece e engole o filme. O fato de ser Miss Israel foi na verdade um incremento positivo, porque, além de linda, ela teve treinamento militar (obrigatório para todas as mulheres israelenses). Deu vontade de ver o filme. E não seria qualquer filme porque se tenta fazer um longa-metragem da Mulher-Maravilha há anos, mas a sociedade de capitalismo machista não permitia.

Permitia... passado. Estamos em um novo momento social onde o que mais se fala é empoderamento feminino. Esse filme tem isso em seu cerne, porém, é mais do que somente um filme de/para mulheres. As cenas machistas parecem até ridículas para os dias de hoje, mas foram verdade. A personagem Etta tenta colocar humor nisso, mas Gal Gadot se sobressai. Ela não fala só das mulheres. Ela fala dos inocentes, ela fala das minorias, ela fala de todos nós.

E não é só nisso que o filme se sobressai. É o filme da DC que mais se aproxima dos quadrinhos e possui um enredo mais simples e óbvio que não quer mergulhar no universo sombrio criado com sucesso por Christopher Nolan nos Batmans de Bale e que não se sustentou nos filmes do Superman. Isso faz o filme mais palatável, mesmo com o excesso de cenas de batalha em slow motion (que até achei necessárias). Mas ficou um gostinho de quero mais na parte mitológica: a Ilha das Amazonas tem pouco tempo de filme e trazem a luz que faltava para os filmes da DC. Sorte da editora que a Mulher-Maravilha mantém sua luz na escuridão da Primeira Guerra Mundial que segue como pano de fundo, mesmo com vilões inexpressivos. Sim... Ares, o deus da guerra, é bem inexpressivo.

Dito isso, veja o filme. Vale muito a pena e abre um caminho novo no cinema que nem a Marvel conseguiu e só a Mulher-Maravilha poderia fazê-lo.

Se quiser saber mais sobre a amazona da DC, clique aqui.

sábado, 15 de abril de 2017

Arte ao Lado: Eliude A. Santos

Livros do autor.
Tem casos que a criação artística é um processo tão intenso que sai pelos poros. É essa a impressão que tive ao conversar com o escritor Eliude A. Santos. Aliás, chamá-lo de escritor talvez seja reduzi-lo a uma única direção, quando, na verdade, é apenas uma de suas válvulas de escape:
"Eu me expresso com as extremidades: com a língua e com a ponta dos dedos, donde tiro letras e traços que sussurram valores ao espírito do observador cuidadoso. Eu me expresso com empatia e com respeito. Eu me expresso com a luz e as trevas que existem em mim e que transformo em contos, romances, desenhos, pinturas, fotografias, performance, atuação, canto, música, drama, religião (e por religião eu falo de uma religação com o outro e com o que há de mais sagrado em mim)."
Porém, foi na leitura que ele encontrou um objetivo:
"Quando eu era criança, eu amava ir à biblioteca e ficava imaginando chegar numa biblioteca e ver um livro escrito por mim. Mas eu cresci e o desejo do livro físico foi ficando menos importante que o desejo de penetrar na mente do leitor e fazer um rebuliço."
Hoje nem se preocupa tanto que seus textos estejam nas mãos de editoras, mas quer ser lido/ouvido (e por isso utiliza a internet). Quer que as pessoas vejam as cores diferentes que tenta mostrar em uma visão particular e coerente do mundo que compartilha. Suas técnicas podem variar, mas a essência por trás da técnica é a mesma:
"Faço com desejo, faço com intensidade, faço com delicadeza e com força, faço com que o outro reveja o que pensa; faço com que o outro reflita. Faço com que eu mesmo me perca pra que me ache de um modo mais elevado. Faço porque eu me sentiria um covarde se não ousasse, faço porque sinto prazer em fazer; faço porque me preocupo com a visão limitada do outro; faço porque sou um libertador. Quase como um proselitismo literário, um proselitismo libertário."
Suas respostas mostram um ímpeto quase incontrolável do processo criativo. Uma necessidade de questionar o padrão e estabelecer uma reflexão, um desejo que está na base da Arte considerada Moderna desde o século XIX, quando o Romantismo deslocou o observador da obra para as intenções do artista.

Foi na internet que conheci Eliude e suas observações bem particulares sobre religião. Como sou amante de mitologia, acabei lendo um de seus livros e resolvi fazer perguntas direto pra ele através das redes sociais. E ele respondeu! Daí surgiu um contato bacana, uma conexão cheia de coincidências e similaridades que vem crescendo através da Arte.

quarta-feira, 12 de abril de 2017

Arte ao Lado: Duas de uma vez!

Vocês já estão acompanhando a revista do Arte ao Lado, certo? Se não estão, leiam logo as edições 1 e 2 porque a terceira edição já está sendo feita!

A novidade é a seguinte: eu tinha me programado pra fazer a revista ao longo desse ano, como se fosse a terceira fase deste projeto tão legal. Acontece que, de repente, novos contatos foram feitos e novos textos apareceram!

Sendo assim, a revista continua sendo a terceira fase, mas ela será intercalada com a quarta fase, ou seja, novos textos! E já começa sábado agora!

Claro que com a vida louca do jeito que está, não haverá agenda definida para isso. Será tudo feito com o tempo que deve ter. Então, divirtam-se!

sábado, 8 de abril de 2017

O Wolverine que eu sempre quis no cinema (?)

Eu sou colecionador de quadrinhos desde 1990 e possuo uma coleção de 8 mil edições. O número 36 do antigo gibizinho dos X-Men (Ed. Abril) me apresentou Wolverine e foi o cliché do amor à primeira (re)vista. Explicar o porquê disso acho que nem fazendo terapia, mas é fácil entender porque os mutantes se tornaram o que são hoje. Eles representam todas as minorias que possuem o potencial de fazer o mundo melhor, mas são impedidas por medos e preconceitos. Wolverine é aquele que enfrenta isso com uma coragem ímpar, mesmo tendo toneladas de questões próprias a resolver. E ainda faz isso tudo de forma cínica, com um humor ácido só dele.

Quando disseram que iam levar o universo mutante para os cinemas, eu fiquei num estado de êxtase incomparável. Cheguei a ter queimação no estômago e suor frio ao ver o filme que iniciou a franquia em 2000. Toda essa exaltação se transformou numa expectativa louca que parecia se frustrar por conta de um purismo amadurecido em 10 anos de leitura. Como Wolverine poderia ser interpretado por um ator de 1,90m quando ele é o “nanico” dos quadrinhos? Isso foi se suavizando com o entendimento de que mídias diferentes precisam de adaptação e que Hugh Jackman incorporou o herói de uma forma inexplicável.

E aí... 9 filmes e 17 anos depois... chegamos ao alardeado último filme de Hugh Jackman como o Wolverine. As críticas foram tão positivas que não tinha como a expectativa não se elevar. A frase mais comum de se ouvir era “esse é o filme que você sempre pediu do Wolverine”. Será?

Bom... o filme que eu pedi não é esse. Não funcionou pra mim. Para entender isso, resolvi fazer uma maratona dos filmes X e uma releitura do que já havia escrito sobre eles. Mas, entenda, eu farei uma análise muito mais quadrinística, do personagem em si, do que propriamente sobre cinema, pois sou cinéfilo, mas não expert na telona.

Então, vem comigo:

X-MEN – O FILME
X-Men, 2000 = sigla X1

Esse filme deve ser reverenciado por todo mundo que ama quadrinhos porque ele é O precursor, aquele que abriu caminho para a onda cinematográfica dos super-heróis. Eu sei que tivemos inúmeros Supermen e Batmen antes, mas é nesse que o grande público fica conhecendo os mutantes e mostrou o potencial do retorno desse gênero na telona. O filme foi tão grandioso que influenciou os próprios quadrinhos de onde saíram.

Com 10 minutos de filme, somos apresentados a Wolverine numa arena de luta, onde ele é ligado à jovem Vampira e começa a ser o fio condutor da história. Essa ligação se assemelha ao que a Marvel fez com sucesso nos quadrinhos entre o carcaju e a jovem Jubileu (que chega a aparecer de passagem em uma cena desse filme, mas com a fala cortada), mostrando o coração enorme do baixinho e seu potencial como mentor.


Nos minutos seguintes, vemos que Hugh Jackman (mesmo não sendo o nanico que o personagem pedia) veste a jaqueta do herói com maestria até quando enfrenta um Dentes-de-Sabre ridículo e selvagem em uma história que permite um rumo diferente das HQs.


Em flashbacks de sonhos ou telepatia, temos o primeiro vislumbre do passado sombrio de Wolverine com a aplicação de adamantium em seus ossos. Seus colegas de equipe ficam impressionados com as experiências que fizeram nele e com sua falta de memória, além – é claro – de seu incrível fator regenerativo. A relação com Jean se torna o segundo fio condutor, mas não só desse filme, como de toda a primeira trilogia.


Ainda nem sabia o que era blog quando esse filme foi lançado, então, jamais fiz uma resenha. Não é o objetivo aqui, mas aconselho: vejam. É aqui que Hugh Jackman alça o personagem (e o ator) ao estrelato fazendo com que o segundo filme da franquia tenha o seu passado como base.


X-MEN 2
X2, 2003 = sigla X2

O início de X2 nos apresenta o mutante Noturno em uma cena incrível, abrindo passagem para o passado de Wolverine no Lago Alkali e para a ascendência da Fênix. Novamente, Wolverine é colocado com os mais jovens e acaba como um “professor” (o que depois gerou uma série televisiva animada e o herói ganhando esse cargo nos quadrinhos). Sua cena principal inclusive se dá na escola de Xavier, quando precisa proteger os alunos de um confronto militar. Hugh Jackman protagoniza uma cena realmente digna do herói com violência e drama na medida exata.


No primeiro filme, Wolverine tem duas cenas de combate: uma contra Mística e outra contra o Dentes-de-Sabre de araque. Apesar da violência não sanguinolenta, em ambas ele termina cravando suas garras nos vilões (que supostamente não podem morrer). Já nesse segundo filme, Yuriko (a Lady Letal dos quadrinhos) trava uma luta bem agressiva com o herói e o deixa bem mal. O fim da vilã pode ter servido de inspiração para a “morte definitiva” de Wolverine nos quadrinhos.


Com a presença do General William Stryker (em sua primeira aparição cinematográfica) e a locação do Programa Arma X, a memória de Wolverine retorna mais um pouco: vemos o tanque de adamantium e cenas de sua fuga dolorosa e violenta que deixou marcas nas paredes. Numa conversa com o general, Logan fica sabendo que ele se voluntariou para o programa e ainda trabalhou com ele.


Ficou parecendo que os responsáveis pelo filme quiseram entrar no esquema da Marvel de oferecer pouco sobre Wolverine e ainda iniciaram o processo de vulnerabilização do personagem (que até chora com a “morte” de Jean).


X-MEN 3: CONFRONTO FINAL
X-Men: The Last Stand, 2006 = sigla X3

Complicado falar de um filme que deteriorou a franquia mutante no cinema ao fazer as piores escolhas para levar a Saga de Fênix para a telona. Wolverine, por exemplo, continua em seu processo de domesticação (termo que chega a ser usado). Dessa vez não é a posição de professor que o transforma, e sim o amor por Jean. Ele altera de líder pra chorão o tempo inteiro e isso vai descaracterizando-o e desestabilizando-o. Mas esse amor é o que vence no final.


Wolverine tem novamente duas cenas de combate: a da floresta em busca de Jean, onde ele solta seu lado furioso quase como a cena da mansão no filme anterior; e a cena final onde enfrenta tantos mutantes aleatórios que quase não conseguimos ver. Mas são duas outras cenas que chamam atenção porque enxergamos a essência do personagem: logo no início, na Sala de Perigo, onde acontece o arremesso especial com Colossus e, no meio da batalha dos mutantes, quando enfrenta o mutante que regenera os braços mas não um chute certeiro.


Curiosidade: em uma cena deletada, Wolverine abandona os X-Men depois de ter matado Jean e retorna ao bar onde lutava por dinheiro e encontrou Vampira em sua primeira aparição.


X-MEN ORIGENS: WOLVERINE
X-Men Origins: Wolverine, 2009 = sigla W1 = resenha original

Mesmo com a queda dos X-Men no cinema, Hugh Jackman transformou Wolverine num personagem maior. Nos quadrinhos, por exemplo, ele se tornou onipresente participando de mais de uma equipe dos X-Men, tendo uma equipe própria (X-Factor), virando um Vingador e tendo sua série solo. Nessa época também foi revelada não só uma parte do passado obscuro de Logan (na saga Origem, utilizada como referência para esse filme) como devolveram suas memórias há tanto perdidas.

O passado secreto de Wolverine é, então, construído: sua infância no século XIX, suas garras de osso, sua ligação fraternal com Victor Creed (o Dentes-de-Sabre certo, à altura do sádico personagem) ao longo do tempo, os colegas mercenários – com direito a Deadpool (o responsável por estragar o filme), a segunda aparição do Coronel Stryker no cinema e como perdeu sua memória. A caracterização de Hugh Jackman está beirando a perfeição em um filme recheado de referências que vão desde frases icônicas à jaqueta que remete ao uniforme clássico, mostrando que o objetivo era fazer um filme para fãs.

Temos também a primeira versão completa de como colocaram o adamantium em Logan sem ser em sonhos ou flashbacks cortados. Temos poucas diferenças visuais e conceituais com relação ao mostrado anteriormente, mas a desculpa recai sobre a memória fragmentada de Logan. Sabemos que ele foi voluntário para o Programa Arma X em busca de vingança contra Dentes-de-Sabre e tem uma fuga com menos violência do que esperado. A saída do tanque de adamantium vai ficar marcada – e não só por causa da nudez de Hugh, mas pela ferocidade que se aproxima do ocorrido nas HQs.


As duas disputas entre Wolverine e Dente-de-Sabre são ótimas, mas é a cena da Moto vs. Helicóptero – a primeira que Wolverine utiliza suas garras recém-cobertas de adamantium – que será lembrada nesse filme que tinha tudo pra ser o tal que eu pedi.


Acontece que, mais um vez, escolhas erradas descaracterizaram personagens coadjuvantes que deveriam dar profundidade a Wolverine mas tiraram seu foco, como:
  • Raposa Prateada (Kayla): um personagem obscuro e importante nos quadrinhos que virou uma mutante com poderes de persuasão e irmã de...
  • Emma Frost? Oi? Pra quê?
  • Gambit (Remy LeBeau): mero ladrão irritadinho sem charme algum que é totalmente desnecessário no filme;
  • Ciclope (Scott Summers): ué... ele conhecia o Wolverine? Porque em X1 eles nunca se viram e, mesmo cego, é impossível não saber que foi salvo por Wolverine;
  • Deadpool... a mistura genética que estraga o filme.
Não é por uma questão de purismo. É uma questão de motivo inexistente. Veja: tire Emma, Gambit, Ciclope e Deadpool do filme e coloque Dentes-de-Sabre como o vilão principal com Kayla normal como nos quadrinhos. Pronto.

Curiosidade: na cena de pós-créditos, Logan está no Japão indicando o que vinha a seguir em seus filmes solo... mas... que você vai perceber que não tem lugar na cronologia.


X-MEN: PRIMEIRA CLASSE
X-Men: First Class, 2011 = sigla PC = resenha original

Uma única e divertida cena para Wolverine em um filme que foi feito para acertar (e acertou) a franquia mutante depois do fraco X3:
Xavier e Erik procuram mutantes por todo mundo e chegam até Hugh em um bar. Os dois se apresentam e levam um “go fuck yourself” na lata.

Essa cena é perfeita para o personagem e marca seu primeiro encontro com Xavier e Magneto, mas também começam as confusões cronológicas:
  • Por que em X1 tanto Xavier quanto Magneto parecem não conhecer Logan se eles tiveram essa cena?
  • Xavier aparece em uma brevíssima cena final do filme de origem de Wolverine: ele salva os mutantes presos ao guiar telepaticamente Ciclope para seu helicóptero. Mas vem cá... Um telepata poderoso como Xavier não teria ajudado Wolverine como ajudou Ciclope? Ou pelo menos pressentido ele? E como assim Xavier já estava careca?
  • Também convém falar aqui da terceira aparição de Stryker. Mais um ator faz o coronel num papel desligado de Wolverine, mas ligado à questão mutante. A idade dos atores não bate: velho na primeira, novo na segunda e ainda mais velho agora?

WOLVERINE IMORTAL
The Wolverine, 2013 = sigla W2 = resenha original

Um Wolverine atormentado pelo passado e pela morte de Jean começa o segundo filme já fazendo a gente se perguntar: mas na cena pós-crédito ele não estava no Japão? O que ele está fazendo no Canadá? Calma que ele chega lá, mas veremos que aquela cena do bar não se encaixa.

É importante saber que o Logan das HQs é realmente/finalmente “domesticado” por assim dizer no Japão, pois é onde ele encontra o amor de sua vida, Mariko Yashida, e se entrega a uma vida caseira e de paz. Logan ganha camadas nesse arco histórico e deixa de ser um baixinho furioso para ser alguém com sentimentos. E esse é também o objetivo do filme e – pensando bem – de tudo que foi feito até esse ponto, mas acaba girando em torno da morte ao invés do amor.

Bom, ele nem chega direito no arquipélago e tem seu fator de cura enfraquecido pela vilã Víbora (por que mutante?). Ao enfrentar a Yakuza numa batalha bem sangrenta, começa-se a tirar o “super” do herói. Perceba que essa é a primeira vez que falo em Wolverine como um super-herói, porque ele não é tratado como tal. Ele carrega o heroísmo trágico da mitologia e seu fator de cura lhe confere o “super”, mas suas atitudes estão mais para a de um anti-herói. Portanto, todo o processo de “suavização” parece tornar seus feitos maiores: cada tiro que não cura, o eleva.

Contra Shingen Yashida, Wolverine já recuperou seu fator de cura depois de uma “autocirurgia” e o combate é um dos melhores (se não, o melhor). Também tem um monte de ninja e a luta no trem-bala, que é mais efeito do que outra coisa, mas o Samurai de Prata é decepcionante, assim como o resultado final. A vontade de mostrar Wolverine como um ronin, um samurai sem mestre, perdido num ambiente exótico e hostil acabou foi deixando todo mundo perdido.


A cena pós-crédito vem pra avisar que tentarão consertar tudo: Magneto e Xavier buscam a ajuda de Wolverine porque algo maior está por vir. Claro que fica a pergunta: como o Xavier careca está vivo se a Fênix o explodiu em X3? Sim, nós sabemos que no final Xavier enviou sua mente para um corpo moribundo, mas daí a ter a mesma cara de Patrick Stewart é demais.

Curiosidade: em um final alternativo, Yukio entrega para o Logan o clássico uniforme amarelo e marrom! Deixando um gostinho de esperança...




X-MEN: DIAS DE UM FUTURO ESQUECIDO
X-Men: Days of a Future Past, 2014 = sigla DFE

Já fiz uma boa resenha desse filme, mesmo na flor da pele. Nela eu falo sobre o arco de quadrinhos de onde o filme foi inspirado e deixo claro que Wolverine não seria necessário como protagonista na trama. Mas como deixar Hugh Jackman de fora dessa nova trilogia? Impossível... assim como a oscarizada Jennifer Lawrence – a Mística – também precisava de destaque mesmo que ela seja um enorme paradoxo (afinal, Mística aparece na primeira trilogia sem ter qualquer relação com Xavier, mas nesse filme o velho Xavier se lembra dela).

Como Wolverine é o foco desse texto, então... Ele volta no tempo – num corpo mais novo e mega bombado (desde W2) que não condiz com o corpo de X1 – pra ser a bússola moral de um Xavier perdido. Magneto parece não conhece-lo, mas Xavier lembra da curta e divertida cena do filme anterior. Porém, o maior problema é: se ele perdeu as garras de adamantium no Japão, como elas reapareceram no futuro? Pois é... sem explicação, como o retorno do Xavier careca.


Eu odeio viagem no tempo. Muito. Entendam que a partir do momento que Wolverine volta no tempo, ele abre uma nova linha temporal e isso faz com tenhamos duas realidades: uma da primeira trilogia, com os primeiros solos do Wolverine e o Primeira Classe; e outra que começa aqui e acaba no último filme do Wolverine. Então, quando o novo Xavier entra na mente de Wolverine, ele vê um vislumbre da primeira trilogia, uma outra linha do tempo, onde se encontra com seu possível futuro careca.

Bom... aos poucos, Wolverine deixa de ser personagem principal, pois o trio Xavier/Magneto/Mística é o cerne da nova trilogia. Por exemplo, não há um combate significativo sequer para Logan nesse filme. Em certo momento, Logan tem um refluxo de memória ao olhar para o jovem Stryker e se lembra do Stryker (e do adamantium) de X2... Então... espera... se esse é o Júnior, o do Primeira Classe é o pai; Júnior cresce e vira o do primeiro filme solo do Wolverine; cresce mais um pouco e vira o do X2 que tem um filho mutante. Parece que isso se resolveu. Ou não?

Na cena final de Logan no passado, Magneto cruelmente crava vergalhões em seu corpo e o lança no fundo do mar onde ele se afoga. Quem o retira da água, é Stryker que, na verdade, é a Mística. E isso quer dizer o quê? Não fica claro e não foi resolvido no filme seguinte, deixando um buraco. Em um final alternativo, é somente o Stryker que o tira da água, e faz mais sentido... mas lembre-se: esse seria um final alternativo de uma linha temporal.


Confuso? Veja a cronologia mais abaixo e tenha certeza que será ainda mais confuso.

Curiosidade: em uma cena deletada, o Wolverine do futuro beija Tempestade, acompanhando os quadrinhos da época, onde os dois estavam formando um casal.


X-MEN: APOCALIPSE
X-Men: Apocalypse, 2016 = sigla APO

Lembre-se: agora estamos em uma nova linha temporal, ou seja, os responsáveis pelo filme, podiam fazer o que queriam com o passado do Wolverine. Então, Wolverine tem uma única cena: a fuga sangrenta do Programa Arma X no Lago Alkali (bem mais parecida com o que se sabe nos quadrinhos). Ele recebe a ajuda de uma Jean Grey jovem e sai correndo pelas florestas do Canadá desmemoriado e com mullets.



O que fica claro pela cena final dele em “Dias de um Futuro Esquecido” e por essa cena é que agora Logan não foi voluntário do Programa Arma X, mas uma vítima de Stryker. Não sabemos como ele perdeu a memória, mas não foi uma bala de adamantium como no primeiro filme solo do herói. Isso significa que “Dias de um Futuro Esquecido” deve ter apagado os dois filmes dele. É...

A cena pós-crédito desse filme se liga diretamente ao último de Logan: enquanto militares limpam a bagunça feita por Wolverine em sua fuga, uma empresa de genética pega uma amostra de seu sangue. O nome dessa empresa (Essex Corp) remete a um dos grandes vilões da franquia X, o Sr. Sinistro, e nos leva a crer que teremos clone... e não é que é (quase) isso mesmo?

OBS.: Sobre o filme em si, tem altos e baixos – principalmente em termos cronológicos –, mas, no geral, essa segunda trilogia é muito boa!


LOGAN (2017)

E aí chegamos ao alardeado último filme de Hugh Jackman como Wolverine. As críticas foram tão positivas que não tinha como a expectativa se elevar. A frase mais comum de se ouvir era “esse é o filme que você sempre pediu do Wolverine”. Será?

Não. Longe disso pra mim. As críticas e fãs se apoiaram na violência explícita para dizer que o filme era do Wolverine. Repito: não! E vou além: o filme é fraco, comum e pouco acrescenta.

Sim. Estou sendo um herege. Mas venha comigo... Quantos filmes já foram feitos sobre um brutamontes que tem que lidar com uma garotinha? Quantos filmes já foram feitos que os protagonistas precisam viajar de carro pelos EUA e encontram desafios no caminho? Tem até um nome pra isso: Road movie. E isso é só o começo das críticas.

Tudo nesse filme é excessivamente misterioso:
  • Temos um preview de Xavier como arma mortal tanto em X2 quanto em APO, mas, afinal, o que houve com os X-Men? Essa tal vez seja a pergunta mais importante porque é a base da atitude destrutiva de Logan e de sua nova relação com o professor. Uma frase resolveria isso. Xavier começou até a desabafar, mas... o diretor deixou bem claro que não queria dizer (até cortou um flashback que eu espero ver nas cenas deletadas um dia).
  • O quê levou Wolverine a ficar doente? Tá... tem a história do envenenamento pelo adamantium (que até já foi trabalhado nas HQs), mas o que levou ao enfraquecimento de seu fator de cura? Novamente... uma frase resolveria isso.
  • Até seu clone tem um mistério! Numa cena alguém (que não me lembro) diz pro clone “Foi ele. Ele é o culpado”. Culpado de quê, gente?
  • E a tal Essex Corp. da cena pós-crédito do APO? Pra onde foi? Por que mudou de nome para Transigen quando Essex é bem mais significativo?

Isso foi feito com a desculpa de focar em Logan (e por isso o filme não tem Wolverine no título), mas isso não acontece. Pelo contrário. Isso tudo dá destaque pra X-23, a garotinha que tem sua história bem mais desenvolvida e suas cenas de combate bem mais interessantes, como se fosse uma passagem de bastão. Logan só é interessante quando está com ela. Até Xavier tem mais textura como personagem.

Um corporação sem rosto é o vilão perfeito para um filme que só quer mostrar violência sem razão. Os ciborgues Carrascos são insignificantes, nem precisam ser eles no filme (nas HQs, eles são responsáveis por uma das maiores surras que Logan já levou e marcam o início da relação do herói com a jovem Jubileu).

Por isso eu digo que reduzir Wolverine à violência desenfreada é mostrar um desconhecimento do personagem que não condiz com tudo que foi feito no cinema até agora.


CRONOLOGIA
Vou tentar, destrinchar a cronologia do herói, onde já será possível encontrar as incongruências:
  • 1845: James Howlet descobre suas garras. (W1)
  • 1945: Logan é prisioneiro em Hiroshima e sobrevive à bomba atômica. (W2)
  • 1962: Logan é procurado por Xavier e Erik. (PC)
  • 1973: Mística mata Trask e é capturada.
  • 1975: Logan e Victor são recrutados por Stryker para a Equipe X. (W1)
  • 1979: Logan deserta do programa Arma X na África. (W1)
  • 1985: Wolverine ganha seu adamantium, mas termina sem memória. A cena final de salvamento dos mutantes por Xavier ainda é uma inconsistência cronológica. (W1)
  • 2000: Wolverine conhece Vampira e, na sequência, os X-Men. Fica a tal pergunta: ué... mas se eles só se conheceram aqui, o que aconteceu em 1972 foi esquecido? E Mística? Como se soltou? Como ficou muda? Como não conhece Xavier? (X1)
  • 2001: Wolverine enfrenta Stryker no Lago Alkali. (X2)
  • 2003: O confronto final contra Fênix. (X3)
  • 2013: Logan vai ao Japão pela primeira vez, depois de Hiroshima, provando que a cena no bar não se encaixa. (W2)
  • 2015: No aeroporto, Logan é alertado por Xavier e Magneto sobre os Sentinelas de Trask, mas ninguém sabe como Xavier está vivo em seu corpo original depois do fim em X3. (W2)
  • 2025: Na China, os X-Men enfrentam os novos Sentinelas, enquanto Kitty manda a mente de Logan para 1973. (DFE)

No momento que temos a viagem no tempo, começa uma nova linha temporal, uma segunda cronologia...
  • 1973: Wolverine do futuro entra no Logan do passado para impedir Mística de matar Trask. (DFE)
  • 1974: Wolverine ganha seu adamantium no Programa Arma X (especulação)
  • 1983: Wolverine é libertado do programa por uma jovem Jean e o sangue de Logan é coletado pela Essex Corp. (APO)
  • 2025: Quando retorna, Wolverine, encontra uma mansão futurista com todos os seus amigos vivos, inclusive Jean e Ciclope. (DFE)
  • 2029: Os últimos dias de Logan. (Logan)

É muita confusão! Veja se esse vídeo ajuda:



CONCLUSÃO
Depois dessa maratona cinematográfica e desse textão, posso dizer o seguinte: o verdadeiro Wolverine, o das HQs, está no primeiro filme dos X-Men, construído da maneira correta pelo ator e pelo diretor. Ali temos a essência dele. Porém, em uma entrevista, Hugh Jackman deixou claro que não conhecia direito o personagem ao fazer a audição para ser Wolverine e, por isso, fez o filme se divertindo. Seu amor pelo personagem cresceu com os filmes, mas ele afirma que nunca havia conseguido fazer o que queria nos filmes dos X-Men.

No primeiro filme solo, Hugh começou a tomar conta do personagem. Cresceu fisicamente e pediu um filme onde pudesse trabalhar não só a origem geral de Wolverine, mas também sua personalidade atormentada e furiosa. E olha... quase conseguiu. Se não fossem os péssimos coadjuvantes...

Interessante é que quando resenhei o primeiro filme solo do Wolverine eu disse “não é um filme de super-herói”... e, mesmo que ele esteja mais para um anti-herói, foi o mais super-herói dos três!. E mais louco ainda é que depois da resenha do segundo filme, eu pedi SANGUE!

Então, Filipe, você está sendo contraditório! É... em parte. Por isso, a importância dessa maratona e de ter parado de fazer resenhas logo depois de ver os filmes, ainda embalado pela emoção. Revendo Wolverine Imortal, por exemplo, achei melhor do que escrevi na resenha. Espero que eu goste mais de Longa quando eu revê-lo.

Com isso, digo que o filme do Logan que todo mundo sempre pediu é o que teria:
  • A atitude do Wolverine em X1.
  • O tanque de adamantium de W1 com a fuga de APO (sem a Jean).
  • O uniforme clássico (que só apareceu numa mala, em uma cena alternativa de W2)
  • Vilões icônicos como o Samurai de Prata (não uma armadura com um velho dentro) ou o Sr. Sinistro (não um doutorzinho qualquer) ou talvez um Ômega Vermelho também caísse bem e se tornasse uma explicação bem mais plausível para o enfraquecimento do fator de cura de Logan.
  • O retorno do Liev Schrieber como o Dentes-de-Sabre.
  • Combates como os contra Shingen Yashida, Dentes-de-Sabre e Lady Letal, ou até mesmo os contra os ninjas e a Yakuza (veja quanto vídeo de luta boa que postei aqui).

Queremos um herói cínico. Sim com amor pra dar, mas não chorão. Sim atormentado e complexo, mas que leva tudo nas costas sem reclamar. Com violência sim, mas sem a necessidade de ser explícita, até porque Wolverine foi muito violento desde sua primeira aparição. Essa necessidade de não fazer um filme de super-herói e sim um filme mais “real” (vide Batman de Nolan) nem sempre é bom. Achei alguém que pensa como eu no Papo de Homem.

Agora nos resta aguardar o próximo filme dos X-Men que não deverá ter Hugh Jackman (veja a entrevista dele para o Danilo Gentilli... ele é foda). No entanto, é quase certo que a franquia X precisará trazer um novo ator pra fazer o Wolverine. Quem? Como? Em que linha temporal? Veremos.

sábado, 18 de março de 2017

Logan e o Apocalipse

Eu me considero um entusiasta dos X-Men, tendo o Wolverine como meu herói preferido. São inúmeras as postagens que fiz dele por aqui, sejam sobre quadrinhos ou sobre seus filmes. O primeiro e o segundo filmes do "baixinho", por exemplo, tiveram postagens sobre trailers, entrevistas, imagens etc etc etc. Por essa razão algumas pessoas me perguntam constantemente porque não falei nem do X-Men: Apocalipse nem do Logan, o último filme de Hugh Jackman personificando Bom... aguardem... porque vem aí um textão sobre ambos, mas com foco no Wolverine.

domingo, 12 de março de 2017

Novo volume da revista Arte ao Lado

Tem tudo sido tão corrido que nem escrevi aqui que o segundo volume da revista do projeto Arte ao Lado saiu!

Com um cheirinho de nostalgia, a edição traz o Desenho mais do que bem representado por Letícia Vicentini, Sidney Chagas e o mestre Amador Perez.



Ah... e o "quem sabe" pela continuação do projeto pode estar virando um "com certeza"...

domingo, 26 de fevereiro de 2017

Uma reflexão...

Freedom (is) Truth (or) Relativity (?)

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

Arte ao Lado: A revista!

O Arte ao Lado saiu do blog e se tornou uma publicação! Isso mesmo! Nesse primeiro volume, os três fotógrafos – Fernando Gonçalves, Reinaldo Smoleanschi e Victor Haim – tem suas postagens transformadas em matéria. Clique AQUI e leia!

Aos poucos os outros também aparecerão! E quem sabe alguns inéditos? :)

sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

Datas de Djavan

Em 2017, Djavan faz 68 anos (hoje, pra ser preciso) e seu álbum Matizes faz 10 anos de lançado.

Eu, então, anuncio que em breve (breve mesmo) irei finalmente lançar o meu primeiro projeto relacionado ao meu ídolo máximo.

Parabéns Djavan! E – como sempre – obrigado!

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Arte ao Lado: Eu

Isso mesmo... resolvi me colocar no lugar dos meus entrevistados. Já que tem sido tão difícil conseguir depoimentos, nada melhor do que experimentar do "próprio veneno" pra ver se é tão complicado mesmo. E olha... fácil não é, mas também não é nenhum bicho de sete cabeças. E eu nem sou artista; sou designer e professor, e me aventuro pelo mundo da nossa língua.

Bom, seguindo as perguntas que fiz a todos... o que eu faço é brincar com as palavras, desde o som às letras que as compõem. Sempre fui fascinado pela nossa língua e me lembro de ter passado mais de uma semana com a palavra "papoula" ressoando na minha mente. Quando aprendi as figuras de linguagem na aula de português da minha inesquecível professora Auxiliadora, senti que as possibilidades eram enormes. Aliás, foi na aula dela que escrevi meu primeiro poema iludidamente construtivista e totalmente cliché:

DÚBIO PREDICATIVO
Por que Sertão?
Ser tão pobre.
Ser tão miserável.
Ser tão infértil.
Ser tão seco.
Ser tão desesperançoso.
Ser tão morto.
É.
Por isso somos tão.

Daí vieram os sinônimos, antônimos e a noção que nosso idioma é realmente rico. As palavras foram amadurecendo dentro de mim e em 2000 participei de uma exposição coletiva chamada DaGema, com a obra DicionáRIO.


A vida foi tomando outro rumo até que entrei no universo acadêmico que me fazia complicar o fácil, ser prolixo porém conciso e claro. Em 2010, a porteira se abriu e a produção começou. A maioria já apareceu aqui no blog:

  1. enGARRAFAmento
  2. Banco de DADOS
  3. emPILHAmento
  4. indigNAÇÃO
  5. É, nem... nem é!
  6. Rio de Janeiro a Novembro de 2010
  7. Direitos Humanos para Humanos Direitos
  8. Direito Civil: onde já se viu? (em gênero, número e grau)
  9. Luto - Luta
  10. Arranquem o SiSU
  11. Irã. Irá? Ira!
  12. COMUNIDADE
  13. FRIO
  14. Cética Ética ETC... e a variação CosmÉTICA
  15. Afeto Afeta
  16. Deus Juiz
  17. Muda.
  18. Sabia, sábia sabiá?
  19. B! (Anagrama)
  20. entre outros...

Mas dando sequência nas perguntas... como eu faço isso? Olha... não tem muito uma fórmula. Normalmente, quando alguma palavra me pega, eu a anoto e deixa ela amadurecer. Assim que ela precisa sair (e eu tenho tempo), eu vou pro computador testar espaços e tipografias. Tenho as tipografias prediletas e os formatos e cores mais ou menos queridos, mas tudo está aberto para o que a palavra quiser.

Agora vem a pergunta mais difícil, provavelmente aquela que empacou com todo mundo: POR QUÊ? E eu não sei responder mesmo. Eu faço porque eu quero, porque eu preciso. Não é só uma forma de expressão, é a criação de algo e ao criar me sinto dando vida. Algo nesse mundo passa a existir porque eu fiz. Esse tipo de poder é único, comparado talvez à geração paterna/materna.

É isso. Esse é meu lado artista, meu lado criador (e ontem esse blog fez 9 anos!).

domingo, 1 de janeiro de 2017

Persevere!

Que 2016, gente... Acho que é quase unânime que tivemos um ano brabo. No entanto, peço que você que está lendo essa mensagem reflita sobre os momentos positivos que existiram esse ano. Mesmo que tenham sido poucos, eles serão responsáveis por você pensar "OK, esse ano não foi tão ruim assim".

É isso que tem me feito seguir em frente. É isso que me faz trazer essa mensagem nada original (que me lembra a incrível viagem à Londres que fiz esse ano), porém propícia para o momento...


Independente do ano que estamos, tenha certeza que as lutas serão constantes (vide os últimos anos de obstáculos aguardando melhoras). Não adianta esperarmos uma vida plácida porque isso não existe. Mas devemos perseverar. Devemos continuar em busca dos nossos objetivos, mesmo que um pouco de cada vez.

E 2017 trará um novo ciclo astrológico que vai durar 36 anos! E é um Ciclo de Saturno! Ou seja, preparem-se! Saturno é o regente do tempo e, portanto, implacável e insensível. Nós colheremos exatamente o que andamos plantando por aí. Porém, é o princípio organizador da vida que traz sabedoria e amadurecimento. Acredita-se que todo o problema com 2016 venha desse fim de ciclo astrológico, onde foram necessários estabelecer as novas bases para o próximo ciclo.

Não à toa, é ano 1 para a Numerologia. O ano-semente traz ansiedade e medo de tão prolixo que é. Muita criatividade, muita coisa nova, muita possibilidade... mas será rápido: perdeu o bonde, dançou. E também não dá pra ficar esperando algo florescer aqui se está florescendo outras coisas em outros lugares.

É também ano de Oxóssi que recebe Oxum no meio do ano. É um ano que se soma a Saturno na sabedoria e na busca de aprendizado. Traz também maior força popular e maior força da natureza, ou seja, as manifestações não irão parar assim como a fúria da Terra vai aumentar. É um ano de planejamentos e alguns conflitos que podem tanto findar alguma relação quanto fotalecê-la. Tenha vontade e corra atrás. Novamente... persevere.

Oxóssi diz que o verde é a cor do ano e parece que a Pantone obedeceu. Segundo a diretora executiva da marca, regenerar, refrescar, revitalizar, renovar, renascer é a vibe do Greenery, um verde-amarelado alegre e vivo que remete às florestas (olha Oxóssi aí) e à esperança.

A partir de 28 de janeiro começa o ano do Galo de Fogo para o Horóscopo Chinês. É um ano de coragem, honestidade e ambição, porém de imposição, teimosia e algum conservadorismo.

Parece que a palavra do ano será VONTADE. Ou seja, persevere! Keep calm and carry on!